Concurso do Magistério
O mau desempenho dos professores no concurso do magistério do Rio Grande do Sul virou manchete nos meios de comunicação do Brasil. Levando-se em consideração que das 10 mil vagas ofertadas, apenas 5.224 candidatos foram aprovados – em torno de 8% dos 63.782 que realizaram a prova – é possível perceber que, ou há uma precariedade na formação dos professores, ou o concurso foi idealizado de forma a excluir parcela relevante dos inscritos.
Em primeira análise, é terrível, mas seria interessante saber quantos entre os aprovados fazem parte do grupo de contratos temporários, alguns dos quais estão em sala de aula há duas décadas ou mais. Temporários que extrapolam qualquer conceito ou definição que a palavra encerre na língua portuguesa.
Se os dados que coletei reproduzem a realidade, a rede pública estadual de é composta por 150 mil professores, sendo que 68 mil estão na ativa e os docentes contratados somam cerca de 18 mil. Um levantamento posterior à prova de títulos, entre os quais vale pontuação o efetivo exercício no magistério a partir de 2005, nos daria um perfil exato de quantos atuam na área, se bem que não necessariamente na rede estadual, conforme consta na alínea J do Anexo 9, que diz “tempo de atividade de magistério em regência de classe”. Anexo esse que sofreu modificação posterior.
Esses 18 mil professores representam aproximadamente 26% do total de docentes na ativa – 50 mil -, concursados e devidamente nomeados. E, em tese, não poderiam comprometer o nível educacional da educação estadual. Entra aí mais um dado para análise, já que as escolas estaduais participam de duas avaliações – SAERS e SAEB -, bastando cruzar o o número de contratados em cada escola e de notas obtidas por elas. Haverá diferença entre escolas com maior número de contratados, respeitadas as mesmas condições socioeconômicas do alunado?
Por outro lado, caberia análise de aprovações dos candidatos inscritos para a área 6 – Educação Profissional e suas “Técnologias” , assim mesmo, com acento, conforme consta no anexo 2 – Quadro de Vagas. Há, nesse caso, a exigência de licenciatura ou bacharelado, com formação pedagógica ou pós-graduação na área pedagógica, para esses candidatos.
Analisando o número de vagas e o desempenho dos candidatos inscritos para as CREs 1,2,3,e 4 foi possível fazer algumas constatações interessantes, apesar dos número reduzido de candidatos interessados em disputar uma vaga. Não foram computadas os cargos na área de pedagogia e química por sua similaridade com as licenciaturas.
Entre os candidatos que prestaram concurso na 1ª CRE todos foram reprovados, com exceção de dois (2) dos oito (8) candidatos de Engenharia Elétrica, um (1) dos três (3) candidatos de Engenharia Eletrônica, três (3) dos 42 de Administração, sendo que havia 18 vagas disponíveis, Publicidade e Propaganda com um (1) aprovado de oito (8) e Psicologia com uma aprovação entre vinte (20) inscritos. Não contei os ausentes, óbvio.
Engenharia elétrica emplacou 25% (2/8) de aprovações, em números relativos, Engenharia Elétrica 35% (1/4) e Administração 7% (3/24) aproximadamente. Psicologia obteve um índice de aprovação de 5% (1/20) . Estranho foi o índice de Direito, uma vez que dos 20 inscritos nenhum logrou aprovação e nove (9) não atingiram média de 60% em… legislação.
Nas 2ª e 3ª CREs nenhum dos candidadatos obteve aprovação e na 4ª CRE apenas um candidato de Turimos logrou êxito entre os seis (6) que prestaram o concurso. Não averiguei a situação dos candidatos das demais Coordenadorias.
E fica a pergunta: Esses candidatos também não tinham uma boa formação? Ou apesar de terem, não obtiveram aprovação?