Se nada der certo vou trabalhar

Sinto muito informar aos estudantes que passar no vestibular, concluir uma graduação, mestrado ou doutorado pode não dar certo.  Para dar certo é necessário uma boa dose de dedicação e muito trabalho. Estudar é necessário e muito bom, mas também é necessário aprender. Dar certo significa ter competência no seu trabalho, seja de pedreiro ou engenheiro e crescer na profissão. Só quem aprende e se adapta as circunstâncias consegue dar certo. Assim, se nada der certo vou ser camelô e quem sabe virar dono de um canal de TV. Se nada der certo, vou ser faxineira e me transformar em dona de uma rede de salões de beleza, se nada der  certo vou deixar de ser professor e abrir uma casa de festas, se nada der certo vou ser mascate e vira dono de rede de lojas de varejo. Esses são exemplos da vida real. Uma boa ideia, um pequeno investimento e muito, mas muito trabalho é o que vai fazer dar certo. E dar certo significa ter trabalho e contas em dia, ter consciência ambiental e social, ter amor por sua profissão. Dar certo é ter empatia e despir-se de preconceitos.  Dar certo nem sempre tem relação com os QIs (Quociente de inteligência ou Quem indica),  mas tem relação com o QE, pois sem Quociente emocional é difícil dar certo.

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Sobreviver ou se aposentar, eis a questão!

O Brasil é um país deveras interessante. A incompetência para fiscalizar as más ações administrativas parece ter encontrado, enfim, novos caminhos entre tantos descaminhos. Leite, carne e seus derivados ganham aditivos comprometendo a credibilidade, não só das indústrias, mas também do governo, pois a ele pertence a responsabilidade de fiscalizar. Cada novo escândalo desvia os holofotes do anterior. Boa estratégia de marketing, se não afetasse ainda mais nossa frágil economia.  Menos mal que ganharam nome e sobrenome, e estão sendo investigados, se bem que nem deveriam ter ocorrido.

O povo, preocupado com a reforma da previdência, começa a perceber que talvez não vá sobrar tempo de vida para desfrutá-la, afinal, beber leite ou comer carne, ingerir agrotóxicos junto com a salada ou usar molho temperado com quantidade tolerável de pelo de roedores pode contribuir para diminuir a expectativa de vida. Talvez aqueles felizes contribuintes que não estão entre os 63% que recebem um salário mínimo de aposentadoria não se importem. Talvez aqueles que contribuem sobre dez salários mínimos, mas receberão o equivalente a 60% encontrem alternativas como criar galinhas e plantar hortaliças no quintal.  Conforto na aposentadoria somente para aqueles privilegiados que não dependem da previdência, com direitos diferenciados num país no qual constitucionalmente, todos são iguais perante a lei.

Intensamente emocional

As pessoas estão cada vez mais intensas.  Emoções, ações ou opiniões tomam uma proporção assustadora.  Qualquer contrariedade extingue uma amizade ou desencadeia uma aversão.  Nossas relações extrapolam os limites familiares, expandindo-se em relações de trabalho, sociais e no círculo de amizade.  Se há alguma pessoa em algum desses grupos com a qual se concorde em tudo, essa é sua alma gêmea e você é uma pessoa privilegiada. Nenhuma discordância mesmo? Nunca? Nem uma única vez?

Tão intensas estão se tornando que não há mais limites. Pessoas de todas as idades agridem, torturam ou até matam por motivos fúteis nos casos mais graves, mas há aqueles que excluem do seu círculo de amizades todos aqueles que não têm a mesma opinião sobre política, casamento, opção sexual ou religiosa, entre tantas outras.   Essa intensidade perceptiva não respeita a opinião do outro. Não há tolerância, só intensidade.

Há quem termine uma amizade de anos porque a amiga chegou com o cãozinho, seu filho amado, recém-adotado, que se refestelou no sofá novo. Uma não gostou de ver seu sofá sofrer os efeitos dos dentes no tecido, outra se melindrou porque o “filho” foi colocado no colo da “mãe” com o pedido para que ali permanecesse até o final de visita, que foi breve e a última, depois de décadas de amizade.

Fim do relacionamento. Entre amigos, entre casais, entre colegas.  Tal intensidade levará cada vez mais pessoas por uma estrada solitária. Nos casos mais graves, desafetos não são mais ignorados, mas trucidados, física ou moralmente.  As redes sociais estão repletas de pessoas que postam suas opiniões – únicas e verdadeiras – através de palavras ferinas, causando todo tipo de dor e muitas vezes se juntam àquelas cujas consequências redundam em violência física nas manchetes dos jornais.

Amigos precisam torcer pelo mesmo time, votar no mesmo partido e amar sushi, ou não serão mais amigos. Entre a intensidade do pensamento em relação ao ter sempre razão e o respeito à opinião do outro há uma linha que deve ser respeitada. Esse limite ou a ausência dele é que contribuiu para que tantas crianças, adolescentes e adultos não consigam perceber que não precisam pensar igual, que podem externar sua opinião sem aniquilar o oponente. Discordar pode ser salutar, pois as diferenças permitem somar novos pontos de vista,  promover o discernimento.  Respeitar as diferenças não reflete fraqueza. Pensar intensamente sobre a tolerância é mais importante que ser intensamente emocional.

Frangos e ovos de ouro

Quem surgiu primeiro? O ovo ou a galinha?  Óbvio que é a galinha, que não terá um dia dedicado a ela, obviamente porque poderia promover alguns debates empoderados, afinal ela – coitada – acabou virando sinônimo de… galinha, usado eventualmente como adjetivo e comum à todos os gêneros, para ser politicamente correta.

Não confunda a dita cuja com seus antecessores que granjearam o Dia Estadual do Frango e do Ovo, ora instituído no RS que encontra justificativa na elevada produção avícola e no alto valor proteico e nutricional da dupla.  Aprovado por 42 deputados será comemorado na segunda sexta-feira de agosto, mês do cachorro louco, dizem alguns, mesmo sem comprovação do fato.

Poderia ser pior, imaginem se instituíssem o dia do pinto. Suscitaria novos empoderamentos e acusações de machismo, quem sabe até surgiria alguém querendo instituir o dia do grelo duro. Menos mal que se ativeram aos frangos e ovos.

Os deputados estão certíssimos em discutir e aprovar tão importante projeto. Nada mais natural que homenagear ovos e frangos, pois mesmo que não houvesse justificativa, são nada mais nada menos que a origem primeira da galinha dos ovos de ouro. Está sim deveria receber todas as homenagens. Ato falho, diria Freud.

Deputados estaduais recebem subsídio mensal de R$ 25.322,25 ao qual se somam verbas para combustível, diárias, material de expediente, copias, postagens, telefone, entre outros, além de 9 a 17 cargos disponibilizados para cada Gabinete Parlamentar. Uma diária no estado é de R$ 588,89 e em 2016 já temos uma campeã. Ela utilizou R$ 9.522,72 do dinheiro público em uma viagem a Nova Iorque (03/03/2016 a 19/03/2016), mas há outros mais comedidos que receberam apenas meia diária ou exatos R$ 294,45. Até abril de 2016 a Assembleia Legislativa desembolsou R$ 156.533,80 em diárias.

A diária recebida para visitar NY é de aproximadamente R$ 1.300,00 que é praticamente o mesmo valor do Salário-base mensal de R$ 1.165,69 pagos aos professores para uma jornada de 20 horas.

O melhor seria destituir a galinha dos ovos de ouro da sua função e reformar a instituição.

Publicado originalmente no Jornal NH 18/04/16 In:

http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2016/04/noticias/regiao/314088-frangos-e-ovos-de-ouro.html

Fonte da imagem:

http://br.freepik.com/fotos-gratis/um-ovo-de-ouro_19615.htm

Site consultado:

http://www2.al.rs.gov.br/transparenciaalrs/GabinetesParlamentares/Remunera%C3%A7%C3%A3odosDeputados/tabid/5198/Default.aspx

 

 

Histórias de Professores – EEEM D. Pedro II

O livro contando as histórias da escola e do bairro Rincão de Novo Hamburgo está em fase de impressão!  Falta definir local e data do lançamento, mas a parte mais importante está finalizada. Para despertar a curiosidade de tantos que já passaram por essa escola, coloco alguns títulos que estão inseridos nos depoimentos dos professores. Tem até história inédita, guardada em segredo por mais de três décadas. . Aguardem!

Histórias da D. Ledaescola 2015

Histórias da D. Judith

E A Fossa Caiu

Sem Telhado!

A Festa Dos 50 Anos (só que não)

Um Prédio Novo… Um Sonho Realizado

A invasão das pulgas

– Diretora, o muro desabou e as salas antigas estão suspensas no ar!

Uma história triste

Flúor além da medida é perigoso?

O ataque das pulgas

Um dos “SIM” mais importantes de minha vida

Fruto do amor da Dom Pedro

Uma Diretora Inesquecível

Ele era muito, mas muito velho…

Fatos marcantes

Os problemas

As promessas

Saldo Positivo

A Dona Baratinha

A  Bruxinha que era boa

As viagens

Uma escola de família

Fazendo Arte

A diretora “generala”

Alunos, Palestrantes e o ato de Educar

Os Rabos das Lagartixas

As lagartixas correm ensandecidas, cada qual pensando em se desfazer do rabo, procedimento usual em caso de perigo eminente,  porém algumas dezenas delas desenvolveram a síndrome do rabo preso. Algumas – menos do que se deveria esperar – mantém seu funcionamento biológico intacto, enquanto outras ainda não têm certeza absoluta quanto à conduta de seu apêndice.

Reunidas, mas desunidas, discutem sobre o futuro do reino. Cada qual tenta afirmar sua posição, pensando também na sua própria condição. Uma grita: – Impeachment já! Outra retruca: Impeachment é golpe. Mais adiante outra grita num arroubo de insensatez: – Prendam o juiz que tudo se resolve. Uma delas se atreve a lembrar de que antes de se posicionar é preciso averiguar quais as provas que há. Outra geme, lembrando talvez a tortura e diz: – vamos acabar numa ditadura. Nada disso, diz outra, parem com a discussão, vamos lamber essa pizza, que ainda não caiu no chão.

A líder, acusada de roubar milhões, tenta manter a ordem, mas só há desordem. Em seu auxílio vem outra, citada em um caso de evasão de divisas, com direito a fotos em cartazes de “Procura-se” e diz: – se ainda lavassem a jato com a água do Tietê. Aquelas, já lavadas a jato, caíram na gargalhada pensando na possibilidade do sujou geral.  Até a líder parece gostar da ideia, pois desviaria os holofotes para outras questões, que não os milhões.

Golpe duro sofreram as lagartixas com a síndrome, enquanto as demais sofrem por antecipação, com medo da contaminação. Nenhuma delas parece preocupada em achar uma solução. Reforma na política dos rabos é um desafio. Terminar com os benefícios da classe, nem pensar. Se faltar grana para limpar o rio ou para rejuntar as fissura no piso, que se vire quem deles precisar.

As lagartixas do reino da Família La Dina Bra Zil, onde tudo está como sempre foi ou assim acham algumas, estão atentas aos atos de Dona Justa, lagartixa desgarrada da turma em reunião. Ela também anda vigilante. Arroubos de paixão não fazem parte da sua jurisdição, analisa fatos e nunca condenou ninguém por pedalar sem direção.

Seja qual for o resultado da deliberação, o voto das lagartixas com ou sem síndrome, deve ter por base apenas a lei, nada mais, nada menos. Não deveria haver espaços para jogadas políticas do neolítico.  A festa está acabando, a fila andando, a farra terminando… Fica a expectativa de que a democracia se fortaleça e a corrupção se desvaneça.

Originalmente publicado na página Opinião – “Os rabos das lagartixas” – Jornal NH 04/04/16