Se nada der certo vou trabalhar

Sinto muito informar aos estudantes que passar no vestibular, concluir uma graduação, mestrado ou doutorado pode não dar certo.  Para dar certo é necessário uma boa dose de dedicação e muito trabalho. Estudar é necessário e muito bom, mas também é necessário aprender. Dar certo significa ter competência no seu trabalho, seja de pedreiro ou engenheiro e crescer na profissão. Só quem aprende e se adapta as circunstâncias consegue dar certo. Assim, se nada der certo vou ser camelô e quem sabe virar dono de um canal de TV. Se nada der certo, vou ser faxineira e me transformar em dona de uma rede de salões de beleza, se nada der  certo vou deixar de ser professor e abrir uma casa de festas, se nada der certo vou ser mascate e vira dono de rede de lojas de varejo. Esses são exemplos da vida real. Uma boa ideia, um pequeno investimento e muito, mas muito trabalho é o que vai fazer dar certo. E dar certo significa ter trabalho e contas em dia, ter consciência ambiental e social, ter amor por sua profissão. Dar certo é ter empatia e despir-se de preconceitos.  Dar certo nem sempre tem relação com os QIs (Quociente de inteligência ou Quem indica),  mas tem relação com o QE, pois sem Quociente emocional é difícil dar certo.

Convite: Histórias de uma aula mista

conviteO livro contando a história da Escola Estadual de Ensino Médio D. Pedro II e do Bairro Rincão de Novo Hamburgo será oficialmente lançado no dia 02 de julho de 2016 no I Fashion Outlet. Muitas pessoas contribuíram com suas memórias possibilitando resgatar a história dessa escola que já teve muitos nomes. Algumas, como a Professora Leda Torres, cujas lembranças foram fundamentais, deixa seu legado registrado, apesar de não estar presente.

Criada em 1917 como Aula Mista, passou a Escola Subvencionada, Escola isolada, Escola Reunida, Grupo Escolar, todas seguidas do “Rincão dos Ilhéus”. Na década de 70 adotou o nome D. Pedro II, que antes designava outra escola localizada na região central da cidade.

Uma escola centenária, que nem mesmo tinha registro de nascimento, merece ter suas histórias registradas.  Essa é uma das tantas relatadas no livro.

Histórias de Professores – EEEM D. Pedro II

O livro contando as histórias da escola e do bairro Rincão de Novo Hamburgo está em fase de impressão!  Falta definir local e data do lançamento, mas a parte mais importante está finalizada. Para despertar a curiosidade de tantos que já passaram por essa escola, coloco alguns títulos que estão inseridos nos depoimentos dos professores. Tem até história inédita, guardada em segredo por mais de três décadas. . Aguardem!

Histórias da D. Ledaescola 2015

Histórias da D. Judith

E A Fossa Caiu

Sem Telhado!

A Festa Dos 50 Anos (só que não)

Um Prédio Novo… Um Sonho Realizado

A invasão das pulgas

– Diretora, o muro desabou e as salas antigas estão suspensas no ar!

Uma história triste

Flúor além da medida é perigoso?

O ataque das pulgas

Um dos “SIM” mais importantes de minha vida

Fruto do amor da Dom Pedro

Uma Diretora Inesquecível

Ele era muito, mas muito velho…

Fatos marcantes

Os problemas

As promessas

Saldo Positivo

A Dona Baratinha

A  Bruxinha que era boa

As viagens

Uma escola de família

Fazendo Arte

A diretora “generala”

Alunos, Palestrantes e o ato de Educar

Dungeons, Dragons e a Família La Dina Bra Zil

Escrever requer não só conhecimento da língua, mas também inspiração. Essa última é alimentada por uma velha conhecida do povo brasileiro e se chama esperança. Quando a fonte de energia nos é tirada, fenecemos. A esperança está presente em inúmeras manifestações literárias e artísticas, que traduzem um mundo de informações utilizando a ficção, a sátira, a crítica, o humor ou o drama.

Uma crônica precisa de esperança, pois no traço há uma necessidade de expressar uma ideia para desafiar aquele que lê a refletir, assim como de informação, pois nada se escreve sem conhecimento e prova disso é a dificuldade que grande parte dos jovens encontram ao escrever uma simples redação.

Humanidade e honestidade são palavras inspiradoras, mas seus antônimos nos sugam a esperança. A notícia, on-line ou em papel jornal, apresenta uma realidade surpreendente. Não bastassem os casos de violência generalizada por esse país afora, ainda somos obrigados a conviver com a corrupção da velha família La Dina Bra Zil. Para que os mais jovens entendam o uso da palavra para denominar uma família ficcional, os Ladinos são personagens típicos de alguns jogos como Dungeons & Dragons e World of Warcraft entre outros. O mundo real também está repleto de ladinos, que assim como nos jogos, querem se dar bem na vida, ou seja, obter muito dinheiro.

Operadores do mensalão, lava-jato, zelotes e tantas outras maracutaias são os legítimos representantes da família La Dina e derrotariam facilmente os personagens ladinos dos jogos virtuais, nos quais sempre se pode reiniciar a partida. Nem todos os dragões irão para a masmorra, mas todos parecem ser diplomados na arte da guerra silenciosa que ceifa vidas, pois onde houver corrupção haverá precarização da saúde, da segurança, da educação…   Na vida real quem perde é a sociedade.

Meus, Teus, Nossos professores abusadores

A página criada no Facebook com o nome “Meu Professor abusador” conta com mais de 10 mil curtidas, em torno de 750 depoimentos e pode aparentar ser apenas mais uma entra tantas destinada a gerar polêmica. O ideal é não fazer juízo de valores, qualificando o fato como bom ou ruim. A vida em sociedade é repleta de antagonismos que permitem o debate, que acaba gerando novos conhecimentos e em decorrência, algumas mudanças.

Lembro quando uma garota – Isadora Faber – criou a página “Diário de Classe” relatando os problemas de sua escola. Muitos foram a favor, outros contra, mas contribuiu de forma positiva, pois chamou a atenção para vários problemas existentes em escolas públicas.

Outro problema que era ignorado quase por completo pela mídia era o fato de que ocorrem suicídios na adolescência. Não falar sobre o problema não significa que ele não exista. Se expor em demasia pode encorajar imitações, por outro lado, ao falar abertamente sobre um fato que antes era tabu, pode servir de alerta aos pais, educadores e adolescentes ao perceberem que não estão sozinhos, podem buscar auxílio.

Agora é a vez dos professores abusadores, se bem que esse adjetivo pode acompanhar qualquer substantivo que designe uma das tantas profissões existentes, pois abusadores existem entre todas elas, sem exceção. Li algumas dezenas de depoimentos que estão na página e entrei em contato com as garotas para averiguar se teria algum problema usá-los e garantiram que não, por serem públicos. Elas se resguardam e também asseguram a privacidade das pessoas que deixam seus depoimentos. Há nomes de escolas e cidades, mas não de professores, mas há sim muitas pistas para que as instituições os identifiquem.

Serão todos eles abusadores? Exatamente como se pode caracterizar se houve um abuso?

Basicamente, os abusos ou atos inconvenientes teriam que ter regularidade e se prolongarem por algum tempo, acarretando desconforto ou dor emocional para a pessoa ou expondo-a a situações humilhantes ou constrangedoras. Muitas vezes torna-se difícil contestar o abusador, por tratar-se de pessoa em posição de poder. Uma situação isolada não é necessariamente um abuso.

Mas todo tipo de abuso, seja ele infantil, sexual ou moral – sem exceção – causa sofrimento.

Nas escolas, nem sempre a vítima pode contar com o apoio de colegas, pois é comum se calarem diante dos fatos ou rirem das piadinhas maldosas ou brincadeiras de mau gosto. O abusador sente prazer em humilhar, ridicularizar, fazer piadas ou colocações de conotação machista.

Brincadeiras e piadas até podem fazer parte do contexto escolar, mas uma pessoa adulta deve ter perceber quando as mesmas geraram constrangimento.

A página “meu professor abusador” não terá o poder de fazer com que todos os professores venham a ser vistos com desconfiança. Assim como nem todos os depoimentos configuram abuso. Sua maior contribuição será promover o debate, a favor ou contra sua criação, e visibilidade para um fato de que há professores que: “Assediam alunas, fazem piadas machistas ou preconceituosas, aproveitam para passar a mão nas alunas.”

Há caminhos possíveis, desde o simples “não” até denunciar, tanto para as direções quanto nos órgãos competentes, pois não se deveria jamais permitir que crianças, adolescentes ou adultos sofressem esse tipo de constrangimento. Um exemplo que poderia ser adotado é o da USP na qual a Associação de Pós-Graduação lançou uma plataforma que permite aos alunos denunciarem os casos de assédio moral ou sexual.

Alguns depoimentos selecionados da página Meu professor abusador:

“Um dia foi na coxa, outro na cintura até que pegou na minha bunda. Fiquei em choque, pensando será que ele realmente fez isso?! O pior era contar para outras pessoas e ouvir coisas do tipo: – tá reclamando do quê, homem é assim mesmo, dá logo para ele.”

“Fui tirar uma dúvida com ele, como não era horário de aula, ele cobrou pela ajuda. O preço pela aula era mostrar os peitos para ele. Fiquei tão assustada que saí correndo.”

“[…] turmas de quarta e quinta série. Chamava as meninas na mesa dele e passava a mão nas pernas delas, pedia pra sentarem em seu colo, aproveitando da pouca idade e da inocência delas. Quando a escola descobriu, abafou o caso.”

“Eu tinha 12 Anos, entrando na fase de conhecimento sobre sexualidade, eu tinha uma professora de Geografia que tinha seus 40 anos Casada, Bonitona,[…] ela veio falar comigo de novo e falou que eu tinha que ir na casa dela se não ela chamaria minha mãe, eu fui, chegando lá ela começou a mexer comigo e colocar minha mão em suas partes intimas. Isso ocorreu por mais 2 anos, até ela virar Diretora da Escola e parar com isso.”

“Olhava descaradamente para as partes intimas das alunas..Dava nota pelo tamanho dos seios..e dizia isso na frente de todos na sala de aula..Um dia ele me constrangeu muito, durante uma de suas “avaliações”, dizendo quem meu cabelo era ruim..Era assim q ele avaliava seus alunos..”

Fonte:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150922_suicidio_jovens_fd

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,pagina-meu-professor-abusador-recebe-600-relatos-de-assedio,10000016107

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2016/02/pagina-no-facebook-reune-denuncias-de-assedio-moral-e-sexual-em-escolas-cursinhos-e-faculdades-4976175.html

https://www.facebook.com/Meu-Professor-Abusador-1123550511018710/?fref=ts

http://www.normaslegais.com.br/trab/1trabalhista020207.htm

 

Futuro com Nem-nem e sem professor

Estava escrevendo sobre as notícias publicadas na mídia que tratam da educação, quando me deparei com a turma dos Nem-nem.  No Brasil em 2014 eram 13,9% dos jovens entre 15 e 29 anos, que não estudavam nem trabalhavam. Os precursores provavelmente são os “tô nem-nem aí”, que passam pelos bancos escolares repetindo cada série duas ou mais vezes simplesmente por falta de interesse, não por dificuldade de aprendizado.

São 20 milhões de latino-americanos entre 15 e 24 anos atualmente não estudam nem trabalham, conforme o Banco Mundial — os chamados “nem-nem” somam quase 60% dos jovens e provêm de famílias situadas nos 40% mais pobres da distribuição de renda. Um expressivo número de jovens despreparados para gerenciar sua própria sobrevivência.

Por outro lado, temos um expressivo número de professores envelhecendo. Em 2013,segundo o DIEESE, na faixa etária acima de 46 anos havia 29,9% professores nas redes estaduais e municipais sendo que destes 16,0% tinham mais de 50 anos de idade sinalizando uma tendência de aumentar o número de aposentadorias nos próximos anos.

Estamos em janeiro de 2016 e os meios de comunicação mostram que na Rede estadual do RS há um déficit de 1,5 mil professores, sendo que em 2015 ocorreu um aumento de 37% nas aposentadorias em relação a 2014.

Além das aposentadorias há casos de exoneração e óbito que influem no resultado, assim como o fato de que o RS tem o menor vencimento básico do país. A cada dia de 2015, houve uma média de 17 afastamentos (aposentadoria, exoneração ou óbito), somando mais de 6 mil professores.

Em contrapartida, a Secretaria de Educação prevê levar para a sala de aula professores que hoje estão em cargos administrativos e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) afirma que a rede pública estadual tem 8,1 mil professores (10,9% do total) em desvio de função – atuando em atividades burocráticas ou com ocupação indefinida, sendo que 3,9 mil atuam como auxiliares em bibliotecas e 2,7 mil nem sequer têm as incumbências registradas.Quais seriam os cargos administrativos ao qual se refere a Secretaria de Educação?

Há excelentes professores atuando como diretores e vice-diretores de escolas, inclusive gerenciando a parte financeira. Observando que só na conta da merenda escolar a cada ano aumenta a exigência de controle e mesmo assim ainda ocorrem fraudes, porém nesse caso, em geral, não se trata de incompetência, mas de desonestidade. Gerir uma escola não é tarefa fácil, pois exige conhecimentos administrativo, financeiro e pedagógico, então é óbvio que a equipe diretiva precisa de pessoas cujos conhecimentos permitam gerenciar de modo adequado toda a burocracia envolvida no processo.

Conforme consta na Lei n 10.576/95, pode candidatar-se aquele que for membro do Magistério Público Estadual e o servidor em exercício em estabelecimento de ensino e que tenha curso superior na área de Educação; estabilidade (nomeado/concursado) e não estar no período de estágio probatório, entre outros quesitos. Então há sim um grande número de professores em cargos administrativos, além dos cargos de direção, há aqueles que atuam como orientadores e supervisores. E se isso ocorre, pode-se presumir que é pela inexistência de professores nomeados para essas áreas.

Entre as 2.569 escolas estaduais do RS, em torno de 500 delas não havia candidatos a diretor. Nesses casos cabe à Seduc indicar quem exercerá o cargo, em geral, o professor mais titulado na área de educação daquela escola. E a questão é: – Qual o motivo para que não haja candidatos?

Mil e trezentos docentes que estão atuando na rede municipal em regime de permuta. o mínimo o que se esperaria é que a mesma ocorresse entre profissionais que atuam na mesma função, porém aqueles que atuam na Assembleia Legislativa, em órgãos federais, em secretarias municipais e estaduais que somam em torno de 400 professores poderiam ser chamados de volta à seus cargos de origem, se a legislação assim prevê, entretanto, jamais retirar 173 professores da Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e pelo contrário, deveriam aumentar o número, pois as APAES vem fazendo um excelente trabalho ao logo dos anos, preparando pessoas para conseguirem o máximo de autonomia no cotidiano. A sua eficiência é inquestionável e, portanto, merecem mais e jamais menos.

Por outro lado, a matéria assinada pela jornalista Cleidi Pereira veiculada na ZH e no Diário Gaúcho (09//01/2016) apresenta alguns dados que são conflitantes com aqueles apresentados pelo TCE-RS.

Na matéria em questão, haveria 52.870 professores em sala de aula em dezembro de 2014 com previsão de 51.363 (-2,85%) em janeiro de 2016. A referência nesse caso, deve se referir à docentes nomeados, uma vez que na pesquisa feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a partir de informações da base de dados da Secretaria Estadual da Educação (Sistema ISE), de outubro e novembro de 2015 na rede pública estadual haveria aproximadamente 8 mil professores (10,9% do total) em desvio de função – atuando em atividades burocráticas ou com ocupação indefinida. Quais seriam essas atividades exatamente?

Os auditores constataram que 3 mil e 900 professores atuam como auxiliares em bibliotecas e 2 mil e 700 nem sequer têm as incumbências registradas. São quase quatro mil professores para 2.569 escolas sendo que muitas nem possuem biblioteca. Quantas dessas escolas possuem bibliotecários? Quantas delas possuem mais de um auxiliar de biblioteca? Quantas, efetivamente, não possuem biblioteca e/ou auxiliares? Aqui cabe uma ressalva, novamente, pois há casos de professores que acabam saindo de sala de aula por diferentes razões e são colocados em bibliotecas ou em outras funções e se tal fato ocorre deve ter o aval das coordenadorias de educação. O TCE-RS poderia averiguar os motivos que levaram a esse procedimento.

Outro fator que há de ser considerado é a estabilidade, pois se não há um boa e continua avaliação ao longo do estágio probatório, pessoas emocionalmente instáveis ou não comprometidas com o processo educacional acabarão se tornando problema permanente e a solução é a mesma adotada na maioria dos casos com alunos problemáticos, ou seja, troca-los de escola, pois infelizmente, não há uma equipe multidisciplinar a disposição de docentes e discentes capaz de amenizar esses problemas que parecem aumentar a cada ano.

O TCE RS também aponta a questão da Defasagem na gratificação de difícil acesso ou provimento, através da qual professores e funcionários têm direito a adicionais de 20% a 100% sobre o vencimento básico. Rever essas gratificações não geraria necessariamente economia. Sem a gratificação, certamente parte dos professores passariam a receber o completivo e outros, em escolas que passassem a receber a gratificação, deixariam de recebê-lo. O governo do estado paga um Completivo desde 2012 aos professores que não recebem o Piso Nacional do Magistério.

Outros pontos levantados pelo TCE se referem a professores e servidores com carga horária não preenchida, Docentes em desvio de função sendo que 2.671 com funções não declaradas, inclusive com contrato temporário. Também há, conforme o TCE, descontrole sobre docentes com horário reduzido e situações passíveis de redução de turmas, pois conforme o órgão há 811 turmas passíveis de redistribuição, dentro das próprias escolas, com economia de R$ 777,7 mil mensais. O tribunal também detectou 813 classes superlotadas.

Assim, qualificar a educação parece passar sempre pelo mesmo velho problema de pagar pouco e economizar muito, sem atacar a origem real do problema. É como dar um remédio para a febre para um paciente com infecção generalizada.

http://www.dieese.org.br/notatecnica/2014/notaTec141DocentesPnadvf.pdf

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/12/mais-de-500-escolas-estaduais-estao-sem-candidatos-para-diretor-no-rs.html

Portaria 277/2015 sobre a Eleição de Diretores, de 9 de novembro de 2015.In: http://www.educacao.rs.gov.br/dados/eleicao_dir_portaria_277_2015_20151110.pdf

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/noticia/2016/01/rede-estadual-tem-deficit-de-1-5-mil-professores-4947842.html

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/01/governo-do-rs-reajusta-em-1136-completivo-pago-professores.html

http://oglobo.globo.com/economia/banco-mundial-america-latina-tem-20-milhoes-de-jovens-nem-nem-18501966

http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2015/12/geral/470596-brasil-ainda-tem-um-em-cada-cinco-jovens-sem-trabalhar-nem-estudar-diz-ibge.html

 

 

 

 

Descontrole dos Pais e do País

Estamos, nós brasileiros, e em especial os gaúchos, em um debate sobre o que fazer para “sair do vermelho”. O país carece de valores, em ambos os sentidos. Essa carência se reflete na família ou seria o inverso?

Charge: Tacho – 2015

Nossos representantes, sim, nós os escolhemos – e talvez somente nesse item sejam divergentes de um núcleo familiar – perderam o controle da situação, assim como os progenitores que afirmam não entender como o filho enveredou por um mau caminho.

Programas sociais na medida certa promovem a qualidade de vida, mas com 25% da população recebendo auxílio – sob o nome que for – do governo federal, sem contar aqueles estaduais, e somando-se ao financiamento da casa própria para famílias ou pessoas de baixa renda é possível afirmar que um terço (1/3) ou 25 pessoas em cada grupo de 100 são beneficiários de bolsa governamental. Sem obrigatoriedade de participar de cursos de qualificação, sem tempo máximo para receber “bolsa” e sem programa efetivo de planejamento familiar, é difícil prever a efetividade em longo prazo.

Para quem estiver inscrito no programa social do governo ainda há a possibilidade de adquirir uma casa através do Programa Minha Casa Minha Vida. O subsídio pode chegar a 90% do valor do imóvel, desde que o rendimento bruto familiar não ultrapasse R$ 1.600,00 mensais. São famílias de baixa renda cuja prestação do imóvel ficará entre R$ 25,00 e 80,00 mensais. Aproximadamente um em cada cinco beneficiários está com pelo menos uma prestação vencida há mais de três meses do imóvel que recebeu a custo praticamente zero. A inadimplência atinge 17,5% contra 2% nos financiamentos imobiliários em geral. São 30% das unidades – ou 1 milhão – direcionadas às famílias de baixa renda. No momento em que estava fazendo algumas pesquisas para subsidiar o texto, o governo anunciou algumas mudanças no programa.

Pagando R$ 25,00 pelo período de dez anos totalizará R$ 3 mil por um imóvel, muito aquém do valor a ser pago por famílias com renda um pouco mais elevada. O subsídio pode chegar a 95% do imóvel, bancado com recursos do Orçamento Geral da União (OGU). Os pais e o país dão tudo que os filhos precisam, mas não para todos, se bem que nem todos parecem precisar, como por exemplo, aquele indivíduo que ganha pouco mais de R$ 1.800,00 e que paga imposto sobre o rendimento. Esse valor foi ampliado para R$ 2.350,00 com um subsídio menor e juros um pouco mais elevados.

Alguns pais também perdem o controle quando tratam os filhos de maneira desigual, seja por questão de gênero ou de grupo familiar. Ainda há uma visão machista, se bem que talvez não predominante, assim como uma nova composição familiar, com meio-irmão, na qual são agregados enteados ou cujos filhos estão com o(a) ex-cônjuge, aos quais nem sempre é destinado o mesmo investimento, sejam em tempo ou em valores.

Assim também ocorre no país, com seus três poderes, cuja verba é originária do mesmo impostômetro, porém com diferenças na remuneração e nas regalias, ou melhor, nos direitos legalmente criados, mas que permitem que um professor receba um piso similar ao vale refeição de alguns ou que alguns tenham assessores, carros e outros assemelhados que cujos valores seriam melhor aplicados na segurança pública, para a qual por vezes falta até gasolina sem falar nos salários incompatíveis com o perigo ao qual se expõe os policiais.

É como se o pai pagasse um pensão ao filho, estudante de escola pública, usuário de transporte público, mas para o outro provesse casa, comida e carro abastecido, além de arcar com todas as despesas de educação em escola particular e viagens.

Pais controladores, que vigiam em demasia e não permitem que seus filhos façam suas escolhas, podem ser comparados ao País, no qual o excesso de burocracia é um entrave ao desenvolvimento. Exigências demais acabam gerando mais problemas do que soluçãos.

Pais permissivos se equiparam ao país no qual a percepção de impunidade se deve tanto ao fato da morosidade da justiça quanto da aplicação de penalidades consideradas brandas por grande parte da população.

Há ainda aqueles pais que ensinam seus filhos que podem usufruir daquilo que não lhes pertence. Vão ao mercado com sua prole e permitem que consumam alimentos ou que saiam sem pagar pelo chocolate que foi convenientemente guardado no bolso. Outros exploram seus filhos em benefício próprio. Assim também agem alguns políticos que subtraem dinheiro público ou superfaturam obras, as expensas do povo. Exemplos que fazem toda a diferença.

E depois a justiça precisa aplicar a lei, aquela mesma que muitas vezes existe, mas que nem sempre é devidamente fiscalizada. Falta consciência, falta ética, falta reflexão. De apenas palavras, o país e os pais precisam transformá-las em ações.

Sem equilíbrio, resta aos pais ou ao país vivenciar o caos.