Convite: Histórias de uma aula mista

conviteO livro contando a história da Escola Estadual de Ensino Médio D. Pedro II e do Bairro Rincão de Novo Hamburgo será oficialmente lançado no dia 02 de julho de 2016 no I Fashion Outlet. Muitas pessoas contribuíram com suas memórias possibilitando resgatar a história dessa escola que já teve muitos nomes. Algumas, como a Professora Leda Torres, cujas lembranças foram fundamentais, deixa seu legado registrado, apesar de não estar presente.

Criada em 1917 como Aula Mista, passou a Escola Subvencionada, Escola isolada, Escola Reunida, Grupo Escolar, todas seguidas do “Rincão dos Ilhéus”. Na década de 70 adotou o nome D. Pedro II, que antes designava outra escola localizada na região central da cidade.

Uma escola centenária, que nem mesmo tinha registro de nascimento, merece ter suas histórias registradas.  Essa é uma das tantas relatadas no livro.

Frangos e ovos de ouro

Quem surgiu primeiro? O ovo ou a galinha?  Óbvio que é a galinha, que não terá um dia dedicado a ela, obviamente porque poderia promover alguns debates empoderados, afinal ela – coitada – acabou virando sinônimo de… galinha, usado eventualmente como adjetivo e comum à todos os gêneros, para ser politicamente correta.

Não confunda a dita cuja com seus antecessores que granjearam o Dia Estadual do Frango e do Ovo, ora instituído no RS que encontra justificativa na elevada produção avícola e no alto valor proteico e nutricional da dupla.  Aprovado por 42 deputados será comemorado na segunda sexta-feira de agosto, mês do cachorro louco, dizem alguns, mesmo sem comprovação do fato.

Poderia ser pior, imaginem se instituíssem o dia do pinto. Suscitaria novos empoderamentos e acusações de machismo, quem sabe até surgiria alguém querendo instituir o dia do grelo duro. Menos mal que se ativeram aos frangos e ovos.

Os deputados estão certíssimos em discutir e aprovar tão importante projeto. Nada mais natural que homenagear ovos e frangos, pois mesmo que não houvesse justificativa, são nada mais nada menos que a origem primeira da galinha dos ovos de ouro. Está sim deveria receber todas as homenagens. Ato falho, diria Freud.

Deputados estaduais recebem subsídio mensal de R$ 25.322,25 ao qual se somam verbas para combustível, diárias, material de expediente, copias, postagens, telefone, entre outros, além de 9 a 17 cargos disponibilizados para cada Gabinete Parlamentar. Uma diária no estado é de R$ 588,89 e em 2016 já temos uma campeã. Ela utilizou R$ 9.522,72 do dinheiro público em uma viagem a Nova Iorque (03/03/2016 a 19/03/2016), mas há outros mais comedidos que receberam apenas meia diária ou exatos R$ 294,45. Até abril de 2016 a Assembleia Legislativa desembolsou R$ 156.533,80 em diárias.

A diária recebida para visitar NY é de aproximadamente R$ 1.300,00 que é praticamente o mesmo valor do Salário-base mensal de R$ 1.165,69 pagos aos professores para uma jornada de 20 horas.

O melhor seria destituir a galinha dos ovos de ouro da sua função e reformar a instituição.

Publicado originalmente no Jornal NH 18/04/16 In:

http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2016/04/noticias/regiao/314088-frangos-e-ovos-de-ouro.html

Fonte da imagem:

http://br.freepik.com/fotos-gratis/um-ovo-de-ouro_19615.htm

Site consultado:

http://www2.al.rs.gov.br/transparenciaalrs/GabinetesParlamentares/Remunera%C3%A7%C3%A3odosDeputados/tabid/5198/Default.aspx

 

 

Histórias de Professores – EEEM D. Pedro II

O livro contando as histórias da escola e do bairro Rincão de Novo Hamburgo está em fase de impressão!  Falta definir local e data do lançamento, mas a parte mais importante está finalizada. Para despertar a curiosidade de tantos que já passaram por essa escola, coloco alguns títulos que estão inseridos nos depoimentos dos professores. Tem até história inédita, guardada em segredo por mais de três décadas. . Aguardem!

Histórias da D. Ledaescola 2015

Histórias da D. Judith

E A Fossa Caiu

Sem Telhado!

A Festa Dos 50 Anos (só que não)

Um Prédio Novo… Um Sonho Realizado

A invasão das pulgas

– Diretora, o muro desabou e as salas antigas estão suspensas no ar!

Uma história triste

Flúor além da medida é perigoso?

O ataque das pulgas

Um dos “SIM” mais importantes de minha vida

Fruto do amor da Dom Pedro

Uma Diretora Inesquecível

Ele era muito, mas muito velho…

Fatos marcantes

Os problemas

As promessas

Saldo Positivo

A Dona Baratinha

A  Bruxinha que era boa

As viagens

Uma escola de família

Fazendo Arte

A diretora “generala”

Alunos, Palestrantes e o ato de Educar

Os Rabos das Lagartixas

As lagartixas correm ensandecidas, cada qual pensando em se desfazer do rabo, procedimento usual em caso de perigo eminente,  porém algumas dezenas delas desenvolveram a síndrome do rabo preso. Algumas – menos do que se deveria esperar – mantém seu funcionamento biológico intacto, enquanto outras ainda não têm certeza absoluta quanto à conduta de seu apêndice.

Reunidas, mas desunidas, discutem sobre o futuro do reino. Cada qual tenta afirmar sua posição, pensando também na sua própria condição. Uma grita: – Impeachment já! Outra retruca: Impeachment é golpe. Mais adiante outra grita num arroubo de insensatez: – Prendam o juiz que tudo se resolve. Uma delas se atreve a lembrar de que antes de se posicionar é preciso averiguar quais as provas que há. Outra geme, lembrando talvez a tortura e diz: – vamos acabar numa ditadura. Nada disso, diz outra, parem com a discussão, vamos lamber essa pizza, que ainda não caiu no chão.

A líder, acusada de roubar milhões, tenta manter a ordem, mas só há desordem. Em seu auxílio vem outra, citada em um caso de evasão de divisas, com direito a fotos em cartazes de “Procura-se” e diz: – se ainda lavassem a jato com a água do Tietê. Aquelas, já lavadas a jato, caíram na gargalhada pensando na possibilidade do sujou geral.  Até a líder parece gostar da ideia, pois desviaria os holofotes para outras questões, que não os milhões.

Golpe duro sofreram as lagartixas com a síndrome, enquanto as demais sofrem por antecipação, com medo da contaminação. Nenhuma delas parece preocupada em achar uma solução. Reforma na política dos rabos é um desafio. Terminar com os benefícios da classe, nem pensar. Se faltar grana para limpar o rio ou para rejuntar as fissura no piso, que se vire quem deles precisar.

As lagartixas do reino da Família La Dina Bra Zil, onde tudo está como sempre foi ou assim acham algumas, estão atentas aos atos de Dona Justa, lagartixa desgarrada da turma em reunião. Ela também anda vigilante. Arroubos de paixão não fazem parte da sua jurisdição, analisa fatos e nunca condenou ninguém por pedalar sem direção.

Seja qual for o resultado da deliberação, o voto das lagartixas com ou sem síndrome, deve ter por base apenas a lei, nada mais, nada menos. Não deveria haver espaços para jogadas políticas do neolítico.  A festa está acabando, a fila andando, a farra terminando… Fica a expectativa de que a democracia se fortaleça e a corrupção se desvaneça.

Originalmente publicado na página Opinião – “Os rabos das lagartixas” – Jornal NH 04/04/16

Direitos iguais, mas nem tanto

Somos todos brasileiros, com direitos iguais conforme consta no Artigo 5º da Constituição, porém toda regra tem exceção e nesse caso há o foro por prerrogativa de função, mais conhecido como foro privilegiado, ou seja, o Supremo Tribunal Federal é responsável por julgamentos de presidentes, ministros (civis e militares), parlamentares, prefeitos, integrantes do Poder Judiciário, do Tribunal de Contas da União (TCU) e de membros do Ministério Público.

Direitos iguais, mas com privilégio para alguns. Iguais, mas diferentes.  E o país exala diferenças e se divide até nas redes sociais. Estranho é ver as ofensas contra quem se atreve a ser “diferente”.  É a turma do “Tô certo”  levando opiniões as últimas consequências.  Todos querem estar certos quando se trata de defender um lado, mesmo que logo ali postem uma figurinha defendo o respeito à diversidade ou contra a corrupção.

Então, o Brasil está dividido entre coxinhas e petralhas, como se um dos grupos tivesse soluções novas para velhos problemas.  Se Lula for julgado pelo Supremo e absolvido, os detratores dirão que o motivo é que alguns ministros foram nomeados pelo réu e por sua sucessora. Agora, se Lula for julgado culpado, os defensores dirão que é um golpe midiático.

O agora ministro Lula pode vir a ter foro privilegiado, mas também há controvérsias. Um ex-deputado renunciou, porém a Corte entendeu que isso não bastava para ele deixar de ser julgado pelo STF. Foi preso, mas teve seu mandato mantido pela Câmara dos Deputados.

Agora cabe ao Supremo analisar se a nomeação de Lula pela presidenta Dilma encontra respaldo na lei. Renunciar para fugir ao foro privilegiado é inválido e há jurisprudência sobre essa questão. Obter foro privilegiado para escapar da justiça federal é inválido? Haja jurisprudência para julgar os privilégios.

Publicado originalmente em 21/03/2016 – Jornal NH In: http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2016/03/noticias/regiao/297625-direitos-iguais-mas-nem-tanto.html

Dungeons, Dragons e a Família La Dina Bra Zil

Escrever requer não só conhecimento da língua, mas também inspiração. Essa última é alimentada por uma velha conhecida do povo brasileiro e se chama esperança. Quando a fonte de energia nos é tirada, fenecemos. A esperança está presente em inúmeras manifestações literárias e artísticas, que traduzem um mundo de informações utilizando a ficção, a sátira, a crítica, o humor ou o drama.

Uma crônica precisa de esperança, pois no traço há uma necessidade de expressar uma ideia para desafiar aquele que lê a refletir, assim como de informação, pois nada se escreve sem conhecimento e prova disso é a dificuldade que grande parte dos jovens encontram ao escrever uma simples redação.

Humanidade e honestidade são palavras inspiradoras, mas seus antônimos nos sugam a esperança. A notícia, on-line ou em papel jornal, apresenta uma realidade surpreendente. Não bastassem os casos de violência generalizada por esse país afora, ainda somos obrigados a conviver com a corrupção da velha família La Dina Bra Zil. Para que os mais jovens entendam o uso da palavra para denominar uma família ficcional, os Ladinos são personagens típicos de alguns jogos como Dungeons & Dragons e World of Warcraft entre outros. O mundo real também está repleto de ladinos, que assim como nos jogos, querem se dar bem na vida, ou seja, obter muito dinheiro.

Operadores do mensalão, lava-jato, zelotes e tantas outras maracutaias são os legítimos representantes da família La Dina e derrotariam facilmente os personagens ladinos dos jogos virtuais, nos quais sempre se pode reiniciar a partida. Nem todos os dragões irão para a masmorra, mas todos parecem ser diplomados na arte da guerra silenciosa que ceifa vidas, pois onde houver corrupção haverá precarização da saúde, da segurança, da educação…   Na vida real quem perde é a sociedade.

Meus, Teus, Nossos professores abusadores

A página criada no Facebook com o nome “Meu Professor abusador” conta com mais de 10 mil curtidas, em torno de 750 depoimentos e pode aparentar ser apenas mais uma entra tantas destinada a gerar polêmica. O ideal é não fazer juízo de valores, qualificando o fato como bom ou ruim. A vida em sociedade é repleta de antagonismos que permitem o debate, que acaba gerando novos conhecimentos e em decorrência, algumas mudanças.

Lembro quando uma garota – Isadora Faber – criou a página “Diário de Classe” relatando os problemas de sua escola. Muitos foram a favor, outros contra, mas contribuiu de forma positiva, pois chamou a atenção para vários problemas existentes em escolas públicas.

Outro problema que era ignorado quase por completo pela mídia era o fato de que ocorrem suicídios na adolescência. Não falar sobre o problema não significa que ele não exista. Se expor em demasia pode encorajar imitações, por outro lado, ao falar abertamente sobre um fato que antes era tabu, pode servir de alerta aos pais, educadores e adolescentes ao perceberem que não estão sozinhos, podem buscar auxílio.

Agora é a vez dos professores abusadores, se bem que esse adjetivo pode acompanhar qualquer substantivo que designe uma das tantas profissões existentes, pois abusadores existem entre todas elas, sem exceção. Li algumas dezenas de depoimentos que estão na página e entrei em contato com as garotas para averiguar se teria algum problema usá-los e garantiram que não, por serem públicos. Elas se resguardam e também asseguram a privacidade das pessoas que deixam seus depoimentos. Há nomes de escolas e cidades, mas não de professores, mas há sim muitas pistas para que as instituições os identifiquem.

Serão todos eles abusadores? Exatamente como se pode caracterizar se houve um abuso?

Basicamente, os abusos ou atos inconvenientes teriam que ter regularidade e se prolongarem por algum tempo, acarretando desconforto ou dor emocional para a pessoa ou expondo-a a situações humilhantes ou constrangedoras. Muitas vezes torna-se difícil contestar o abusador, por tratar-se de pessoa em posição de poder. Uma situação isolada não é necessariamente um abuso.

Mas todo tipo de abuso, seja ele infantil, sexual ou moral – sem exceção – causa sofrimento.

Nas escolas, nem sempre a vítima pode contar com o apoio de colegas, pois é comum se calarem diante dos fatos ou rirem das piadinhas maldosas ou brincadeiras de mau gosto. O abusador sente prazer em humilhar, ridicularizar, fazer piadas ou colocações de conotação machista.

Brincadeiras e piadas até podem fazer parte do contexto escolar, mas uma pessoa adulta deve ter perceber quando as mesmas geraram constrangimento.

A página “meu professor abusador” não terá o poder de fazer com que todos os professores venham a ser vistos com desconfiança. Assim como nem todos os depoimentos configuram abuso. Sua maior contribuição será promover o debate, a favor ou contra sua criação, e visibilidade para um fato de que há professores que: “Assediam alunas, fazem piadas machistas ou preconceituosas, aproveitam para passar a mão nas alunas.”

Há caminhos possíveis, desde o simples “não” até denunciar, tanto para as direções quanto nos órgãos competentes, pois não se deveria jamais permitir que crianças, adolescentes ou adultos sofressem esse tipo de constrangimento. Um exemplo que poderia ser adotado é o da USP na qual a Associação de Pós-Graduação lançou uma plataforma que permite aos alunos denunciarem os casos de assédio moral ou sexual.

Alguns depoimentos selecionados da página Meu professor abusador:

“Um dia foi na coxa, outro na cintura até que pegou na minha bunda. Fiquei em choque, pensando será que ele realmente fez isso?! O pior era contar para outras pessoas e ouvir coisas do tipo: – tá reclamando do quê, homem é assim mesmo, dá logo para ele.”

“Fui tirar uma dúvida com ele, como não era horário de aula, ele cobrou pela ajuda. O preço pela aula era mostrar os peitos para ele. Fiquei tão assustada que saí correndo.”

“[…] turmas de quarta e quinta série. Chamava as meninas na mesa dele e passava a mão nas pernas delas, pedia pra sentarem em seu colo, aproveitando da pouca idade e da inocência delas. Quando a escola descobriu, abafou o caso.”

“Eu tinha 12 Anos, entrando na fase de conhecimento sobre sexualidade, eu tinha uma professora de Geografia que tinha seus 40 anos Casada, Bonitona,[…] ela veio falar comigo de novo e falou que eu tinha que ir na casa dela se não ela chamaria minha mãe, eu fui, chegando lá ela começou a mexer comigo e colocar minha mão em suas partes intimas. Isso ocorreu por mais 2 anos, até ela virar Diretora da Escola e parar com isso.”

“Olhava descaradamente para as partes intimas das alunas..Dava nota pelo tamanho dos seios..e dizia isso na frente de todos na sala de aula..Um dia ele me constrangeu muito, durante uma de suas “avaliações”, dizendo quem meu cabelo era ruim..Era assim q ele avaliava seus alunos..”

Fonte:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150922_suicidio_jovens_fd

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,pagina-meu-professor-abusador-recebe-600-relatos-de-assedio,10000016107

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2016/02/pagina-no-facebook-reune-denuncias-de-assedio-moral-e-sexual-em-escolas-cursinhos-e-faculdades-4976175.html

https://www.facebook.com/Meu-Professor-Abusador-1123550511018710/?fref=ts

http://www.normaslegais.com.br/trab/1trabalhista020207.htm