Professora vira caricatura

Estava eu explicando aos alunos os desdobramentos da Revolta da Vacina, tentando fazê-los relacionar a falta de conhecimento ao medo da vacinação, mesmo sendo esse apenas um dos fatores que desencadearam a dita cuja. Para ilustrar os problemas originários da falta de conhecimento,  lembrei –lhes que ninguém sabe tudo, mas que há maneiras de encontrar as respostas e contei a história do pai que, procurando um nome para sua filha que rimasse com Beatriz, a mais velha, optou por Meretriz, que julgou adequado na rima.

Jamais ele imaginou que essa palavra, que alguns alunos relacionaram a imperatriz, talvez também impregnados de veia poética, fosse encontrada facilmente no dicionário. Não saber ou não conhecer é comum a todo ser humano, mas há meios de descobrir ou aprender.  Outro bom exemplo para que eles percebessem o valor do conhecimento é a singela homenagem à Ava Gardner e Gina Lollobrigida, utilizando os dois primeiros nomes.

Essas pequenas intervenções, ao mesmo tempo em que reforçam a importância do conhecimento, também servem para criar um clima descontraído, pois brincando também se aprender. E nesse momento, faltando poucos minutos para o final do último período de aula em uma sexta-feira, uma aluna perguntou:  –  Professora, posso fazer um desenho da senhora?

Essa é a Márcia, que passa as aulas conversando com a amiga Lívia, e dias atrás notei que não estavam realizando as tarefas em sala de aula, ou pelo menos não todas. Disse-lhes que achava que elas não gostavam de mim, porque nunca perguntavam nada e ficavam conversando. A partir daí, a mudança foi extraordinária. A mente adolescente é de uma plasticidade incrível e de uma percepção acurada.

O desenho contou também com o auxílio do Felipe e até agora não sei qual dos três realizou a arte ou se ela foi obra conjunta. Ficou interessante e até fiquei mais magra. Uma folha de caderno, lápis de desenho, alguns traços e lápis de cor resultaram  numa caricatura.

Partilho a imagem como aqueles que acreditam na educação, mas também com todos que acham que a escola é uma instituição falida.  Os alunos têm um potencial, muitas vezes, inexplorado e fazer arte também é parte do aprendizado.  Assim, apesar de haver momentos de grandes questionamentos, há outros em que percebo que cada esforço, cada hora dispensada ao planejamento e correção, cada interminável reunião para discutir o impraticável ou o possível, ainda valem a pena, se os alunos conseguem perceber na figura do professor um orientador para o conhecimento.

E, como sou uma admiradora do trabalho de chargistas, cartunistas e caricaturistas, e na medida do possível,  utilizo-os para ilustrar meus texto, nada mais justo que mostrar o trabalhjo desses artistas-alunos, por vezes bagunceiros e conversadores, mas ao mesmo tempo tão importantes na vida de um professor.

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