Intensamente emocional

As pessoas estão cada vez mais intensas.  Emoções, ações ou opiniões tomam uma proporção assustadora.  Qualquer contrariedade extingue uma amizade ou desencadeia uma aversão.  Nossas relações extrapolam os limites familiares, expandindo-se em relações de trabalho, sociais e no círculo de amizade.  Se há alguma pessoa em algum desses grupos com a qual se concorde em tudo, essa é sua alma gêmea e você é uma pessoa privilegiada. Nenhuma discordância mesmo? Nunca? Nem uma única vez?

Tão intensas estão se tornando que não há mais limites. Pessoas de todas as idades agridem, torturam ou até matam por motivos fúteis nos casos mais graves, mas há aqueles que excluem do seu círculo de amizades todos aqueles que não têm a mesma opinião sobre política, casamento, opção sexual ou religiosa, entre tantas outras.   Essa intensidade perceptiva não respeita a opinião do outro. Não há tolerância, só intensidade.

Há quem termine uma amizade de anos porque a amiga chegou com o cãozinho, seu filho amado, recém-adotado, que se refestelou no sofá novo. Uma não gostou de ver seu sofá sofrer os efeitos dos dentes no tecido, outra se melindrou porque o “filho” foi colocado no colo da “mãe” com o pedido para que ali permanecesse até o final de visita, que foi breve e a última, depois de décadas de amizade.

Fim do relacionamento. Entre amigos, entre casais, entre colegas.  Tal intensidade levará cada vez mais pessoas por uma estrada solitária. Nos casos mais graves, desafetos não são mais ignorados, mas trucidados, física ou moralmente.  As redes sociais estão repletas de pessoas que postam suas opiniões – únicas e verdadeiras – através de palavras ferinas, causando todo tipo de dor e muitas vezes se juntam àquelas cujas consequências redundam em violência física nas manchetes dos jornais.

Amigos precisam torcer pelo mesmo time, votar no mesmo partido e amar sushi, ou não serão mais amigos. Entre a intensidade do pensamento em relação ao ter sempre razão e o respeito à opinião do outro há uma linha que deve ser respeitada. Esse limite ou a ausência dele é que contribuiu para que tantas crianças, adolescentes e adultos não consigam perceber que não precisam pensar igual, que podem externar sua opinião sem aniquilar o oponente. Discordar pode ser salutar, pois as diferenças permitem somar novos pontos de vista,  promover o discernimento.  Respeitar as diferenças não reflete fraqueza. Pensar intensamente sobre a tolerância é mais importante que ser intensamente emocional.

Convite: Histórias de uma aula mista

conviteO livro contando a história da Escola Estadual de Ensino Médio D. Pedro II e do Bairro Rincão de Novo Hamburgo será oficialmente lançado no dia 02 de julho de 2016 no I Fashion Outlet. Muitas pessoas contribuíram com suas memórias possibilitando resgatar a história dessa escola que já teve muitos nomes. Algumas, como a Professora Leda Torres, cujas lembranças foram fundamentais, deixa seu legado registrado, apesar de não estar presente.

Criada em 1917 como Aula Mista, passou a Escola Subvencionada, Escola isolada, Escola Reunida, Grupo Escolar, todas seguidas do “Rincão dos Ilhéus”. Na década de 70 adotou o nome D. Pedro II, que antes designava outra escola localizada na região central da cidade.

Uma escola centenária, que nem mesmo tinha registro de nascimento, merece ter suas histórias registradas.  Essa é uma das tantas relatadas no livro.

Frangos e ovos de ouro

Quem surgiu primeiro? O ovo ou a galinha?  Óbvio que é a galinha, que não terá um dia dedicado a ela, obviamente porque poderia promover alguns debates empoderados, afinal ela – coitada – acabou virando sinônimo de… galinha, usado eventualmente como adjetivo e comum à todos os gêneros, para ser politicamente correta.

Não confunda a dita cuja com seus antecessores que granjearam o Dia Estadual do Frango e do Ovo, ora instituído no RS que encontra justificativa na elevada produção avícola e no alto valor proteico e nutricional da dupla.  Aprovado por 42 deputados será comemorado na segunda sexta-feira de agosto, mês do cachorro louco, dizem alguns, mesmo sem comprovação do fato.

Poderia ser pior, imaginem se instituíssem o dia do pinto. Suscitaria novos empoderamentos e acusações de machismo, quem sabe até surgiria alguém querendo instituir o dia do grelo duro. Menos mal que se ativeram aos frangos e ovos.

Os deputados estão certíssimos em discutir e aprovar tão importante projeto. Nada mais natural que homenagear ovos e frangos, pois mesmo que não houvesse justificativa, são nada mais nada menos que a origem primeira da galinha dos ovos de ouro. Está sim deveria receber todas as homenagens. Ato falho, diria Freud.

Deputados estaduais recebem subsídio mensal de R$ 25.322,25 ao qual se somam verbas para combustível, diárias, material de expediente, copias, postagens, telefone, entre outros, além de 9 a 17 cargos disponibilizados para cada Gabinete Parlamentar. Uma diária no estado é de R$ 588,89 e em 2016 já temos uma campeã. Ela utilizou R$ 9.522,72 do dinheiro público em uma viagem a Nova Iorque (03/03/2016 a 19/03/2016), mas há outros mais comedidos que receberam apenas meia diária ou exatos R$ 294,45. Até abril de 2016 a Assembleia Legislativa desembolsou R$ 156.533,80 em diárias.

A diária recebida para visitar NY é de aproximadamente R$ 1.300,00 que é praticamente o mesmo valor do Salário-base mensal de R$ 1.165,69 pagos aos professores para uma jornada de 20 horas.

O melhor seria destituir a galinha dos ovos de ouro da sua função e reformar a instituição.

Publicado originalmente no Jornal NH 18/04/16 In:

http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2016/04/noticias/regiao/314088-frangos-e-ovos-de-ouro.html

Fonte da imagem:

http://br.freepik.com/fotos-gratis/um-ovo-de-ouro_19615.htm

Site consultado:

http://www2.al.rs.gov.br/transparenciaalrs/GabinetesParlamentares/Remunera%C3%A7%C3%A3odosDeputados/tabid/5198/Default.aspx

 

 

Histórias de Professores – EEEM D. Pedro II

O livro contando as histórias da escola e do bairro Rincão de Novo Hamburgo está em fase de impressão!  Falta definir local e data do lançamento, mas a parte mais importante está finalizada. Para despertar a curiosidade de tantos que já passaram por essa escola, coloco alguns títulos que estão inseridos nos depoimentos dos professores. Tem até história inédita, guardada em segredo por mais de três décadas. . Aguardem!

Histórias da D. Ledaescola 2015

Histórias da D. Judith

E A Fossa Caiu

Sem Telhado!

A Festa Dos 50 Anos (só que não)

Um Prédio Novo… Um Sonho Realizado

A invasão das pulgas

– Diretora, o muro desabou e as salas antigas estão suspensas no ar!

Uma história triste

Flúor além da medida é perigoso?

O ataque das pulgas

Um dos “SIM” mais importantes de minha vida

Fruto do amor da Dom Pedro

Uma Diretora Inesquecível

Ele era muito, mas muito velho…

Fatos marcantes

Os problemas

As promessas

Saldo Positivo

A Dona Baratinha

A  Bruxinha que era boa

As viagens

Uma escola de família

Fazendo Arte

A diretora “generala”

Alunos, Palestrantes e o ato de Educar

Os Rabos das Lagartixas

As lagartixas correm ensandecidas, cada qual pensando em se desfazer do rabo, procedimento usual em caso de perigo eminente,  porém algumas dezenas delas desenvolveram a síndrome do rabo preso. Algumas – menos do que se deveria esperar – mantém seu funcionamento biológico intacto, enquanto outras ainda não têm certeza absoluta quanto à conduta de seu apêndice.

Reunidas, mas desunidas, discutem sobre o futuro do reino. Cada qual tenta afirmar sua posição, pensando também na sua própria condição. Uma grita: – Impeachment já! Outra retruca: Impeachment é golpe. Mais adiante outra grita num arroubo de insensatez: – Prendam o juiz que tudo se resolve. Uma delas se atreve a lembrar de que antes de se posicionar é preciso averiguar quais as provas que há. Outra geme, lembrando talvez a tortura e diz: – vamos acabar numa ditadura. Nada disso, diz outra, parem com a discussão, vamos lamber essa pizza, que ainda não caiu no chão.

A líder, acusada de roubar milhões, tenta manter a ordem, mas só há desordem. Em seu auxílio vem outra, citada em um caso de evasão de divisas, com direito a fotos em cartazes de “Procura-se” e diz: – se ainda lavassem a jato com a água do Tietê. Aquelas, já lavadas a jato, caíram na gargalhada pensando na possibilidade do sujou geral.  Até a líder parece gostar da ideia, pois desviaria os holofotes para outras questões, que não os milhões.

Golpe duro sofreram as lagartixas com a síndrome, enquanto as demais sofrem por antecipação, com medo da contaminação. Nenhuma delas parece preocupada em achar uma solução. Reforma na política dos rabos é um desafio. Terminar com os benefícios da classe, nem pensar. Se faltar grana para limpar o rio ou para rejuntar as fissura no piso, que se vire quem deles precisar.

As lagartixas do reino da Família La Dina Bra Zil, onde tudo está como sempre foi ou assim acham algumas, estão atentas aos atos de Dona Justa, lagartixa desgarrada da turma em reunião. Ela também anda vigilante. Arroubos de paixão não fazem parte da sua jurisdição, analisa fatos e nunca condenou ninguém por pedalar sem direção.

Seja qual for o resultado da deliberação, o voto das lagartixas com ou sem síndrome, deve ter por base apenas a lei, nada mais, nada menos. Não deveria haver espaços para jogadas políticas do neolítico.  A festa está acabando, a fila andando, a farra terminando… Fica a expectativa de que a democracia se fortaleça e a corrupção se desvaneça.

Originalmente publicado na página Opinião – “Os rabos das lagartixas” – Jornal NH 04/04/16

Dungeons, Dragons e a Família La Dina Bra Zil

Escrever requer não só conhecimento da língua, mas também inspiração. Essa última é alimentada por uma velha conhecida do povo brasileiro e se chama esperança. Quando a fonte de energia nos é tirada, fenecemos. A esperança está presente em inúmeras manifestações literárias e artísticas, que traduzem um mundo de informações utilizando a ficção, a sátira, a crítica, o humor ou o drama.

Uma crônica precisa de esperança, pois no traço há uma necessidade de expressar uma ideia para desafiar aquele que lê a refletir, assim como de informação, pois nada se escreve sem conhecimento e prova disso é a dificuldade que grande parte dos jovens encontram ao escrever uma simples redação.

Humanidade e honestidade são palavras inspiradoras, mas seus antônimos nos sugam a esperança. A notícia, on-line ou em papel jornal, apresenta uma realidade surpreendente. Não bastassem os casos de violência generalizada por esse país afora, ainda somos obrigados a conviver com a corrupção da velha família La Dina Bra Zil. Para que os mais jovens entendam o uso da palavra para denominar uma família ficcional, os Ladinos são personagens típicos de alguns jogos como Dungeons & Dragons e World of Warcraft entre outros. O mundo real também está repleto de ladinos, que assim como nos jogos, querem se dar bem na vida, ou seja, obter muito dinheiro.

Operadores do mensalão, lava-jato, zelotes e tantas outras maracutaias são os legítimos representantes da família La Dina e derrotariam facilmente os personagens ladinos dos jogos virtuais, nos quais sempre se pode reiniciar a partida. Nem todos os dragões irão para a masmorra, mas todos parecem ser diplomados na arte da guerra silenciosa que ceifa vidas, pois onde houver corrupção haverá precarização da saúde, da segurança, da educação…   Na vida real quem perde é a sociedade.