Se nada der certo vou trabalhar

Sinto muito informar aos estudantes que passar no vestibular, concluir uma graduação, mestrado ou doutorado pode não dar certo.  Para dar certo é necessário uma boa dose de dedicação e muito trabalho. Estudar é necessário e muito bom, mas também é necessário aprender. Dar certo significa ter competência no seu trabalho, seja de pedreiro ou engenheiro e crescer na profissão. Só quem aprende e se adapta as circunstâncias consegue dar certo. Assim, se nada der certo vou ser camelô e quem sabe virar dono de um canal de TV. Se nada der certo, vou ser faxineira e me transformar em dona de uma rede de salões de beleza, se nada der  certo vou deixar de ser professor e abrir uma casa de festas, se nada der certo vou ser mascate e vira dono de rede de lojas de varejo. Esses são exemplos da vida real. Uma boa ideia, um pequeno investimento e muito, mas muito trabalho é o que vai fazer dar certo. E dar certo significa ter trabalho e contas em dia, ter consciência ambiental e social, ter amor por sua profissão. Dar certo é ter empatia e despir-se de preconceitos.  Dar certo nem sempre tem relação com os QIs (Quociente de inteligência ou Quem indica),  mas tem relação com o QE, pois sem Quociente emocional é difícil dar certo.

Intensamente emocional

As pessoas estão cada vez mais intensas.  Emoções, ações ou opiniões tomam uma proporção assustadora.  Qualquer contrariedade extingue uma amizade ou desencadeia uma aversão.  Nossas relações extrapolam os limites familiares, expandindo-se em relações de trabalho, sociais e no círculo de amizade.  Se há alguma pessoa em algum desses grupos com a qual se concorde em tudo, essa é sua alma gêmea e você é uma pessoa privilegiada. Nenhuma discordância mesmo? Nunca? Nem uma única vez?

Tão intensas estão se tornando que não há mais limites. Pessoas de todas as idades agridem, torturam ou até matam por motivos fúteis nos casos mais graves, mas há aqueles que excluem do seu círculo de amizades todos aqueles que não têm a mesma opinião sobre política, casamento, opção sexual ou religiosa, entre tantas outras.   Essa intensidade perceptiva não respeita a opinião do outro. Não há tolerância, só intensidade.

Há quem termine uma amizade de anos porque a amiga chegou com o cãozinho, seu filho amado, recém-adotado, que se refestelou no sofá novo. Uma não gostou de ver seu sofá sofrer os efeitos dos dentes no tecido, outra se melindrou porque o “filho” foi colocado no colo da “mãe” com o pedido para que ali permanecesse até o final de visita, que foi breve e a última, depois de décadas de amizade.

Fim do relacionamento. Entre amigos, entre casais, entre colegas.  Tal intensidade levará cada vez mais pessoas por uma estrada solitária. Nos casos mais graves, desafetos não são mais ignorados, mas trucidados, física ou moralmente.  As redes sociais estão repletas de pessoas que postam suas opiniões – únicas e verdadeiras – através de palavras ferinas, causando todo tipo de dor e muitas vezes se juntam àquelas cujas consequências redundam em violência física nas manchetes dos jornais.

Amigos precisam torcer pelo mesmo time, votar no mesmo partido e amar sushi, ou não serão mais amigos. Entre a intensidade do pensamento em relação ao ter sempre razão e o respeito à opinião do outro há uma linha que deve ser respeitada. Esse limite ou a ausência dele é que contribuiu para que tantas crianças, adolescentes e adultos não consigam perceber que não precisam pensar igual, que podem externar sua opinião sem aniquilar o oponente. Discordar pode ser salutar, pois as diferenças permitem somar novos pontos de vista,  promover o discernimento.  Respeitar as diferenças não reflete fraqueza. Pensar intensamente sobre a tolerância é mais importante que ser intensamente emocional.