Sobreviver ou se aposentar, eis a questão!

O Brasil é um país deveras interessante. A incompetência para fiscalizar as más ações administrativas parece ter encontrado, enfim, novos caminhos entre tantos descaminhos. Leite, carne e seus derivados ganham aditivos comprometendo a credibilidade, não só das indústrias, mas também do governo, pois a ele pertence a responsabilidade de fiscalizar. Cada novo escândalo desvia os holofotes do anterior. Boa estratégia de marketing, se não afetasse ainda mais nossa frágil economia.  Menos mal que ganharam nome e sobrenome, e estão sendo investigados, se bem que nem deveriam ter ocorrido.

O povo, preocupado com a reforma da previdência, começa a perceber que talvez não vá sobrar tempo de vida para desfrutá-la, afinal, beber leite ou comer carne, ingerir agrotóxicos junto com a salada ou usar molho temperado com quantidade tolerável de pelo de roedores pode contribuir para diminuir a expectativa de vida. Talvez aqueles felizes contribuintes que não estão entre os 63% que recebem um salário mínimo de aposentadoria não se importem. Talvez aqueles que contribuem sobre dez salários mínimos, mas receberão o equivalente a 60% encontrem alternativas como criar galinhas e plantar hortaliças no quintal.  Conforto na aposentadoria somente para aqueles privilegiados que não dependem da previdência, com direitos diferenciados num país no qual constitucionalmente, todos são iguais perante a lei.

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O Dragão, o Leão e o Bicho Papão

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amarildocharge.wordpress.com

Entre os anos de 1950 e 1960 de acordo com dados do IBGE, a esperança de vida ao nascer era de 52,3 anos de idade. Nasci entre os anos de 50 e 60, portanto, já superei a expectativa prevista.

Faltando três parcos meses para completar o quinquagésimo oitavo aniversário e com mais de 30 anos de contribuição, resolvi requerer a aposentadoria junto ao INSS, mesmo pensando em continuar atuando como professora por mais algum tempo, função que exerço em caráter temporário desde 2002.

Apesar de ter extrapolado em 1 ano, 3 meses e 20 dias o tempo estipulado para obter o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição, perdi 19% do valor obtido calculando a média dos 80% maiores salários de contribuição.

Pelos cálculos do INSS, ainda tenho 23,5 anos de expectativa de vida, portanto meu fator previdenciário é de 0,8094.  Somando minha idade atual ao tempo previsto, viverei até os 81 anos e 2 meses.

Dados divulgados pelo IBGE dizem que em 2012, a expectativa de vida ao nascer no Brasil passou para 74,6 anos, contra 74,1 anos em 2011[1]. Se continuarmos nesse ritmo, adicionando 5 meses  a expectativa de vida a cada anos, chegaríamos fácil ao 83 anos, mas a projeção do IBGE, para 2030[2] é que a esperança de vida ao nascer, para as mulheres, seja de 77,46 anos.

Se eu continuar trabalhando por mais 27 meses, até completar 60 anos, poderia, talvez, e digo talvez, porque o fator previdenciário muda a cada ano, receber 100%, porém, para obter o valor equivalente a essa diferença de 19%, seriam necessários exatos 135 meses para juntar a mesma quantia ou 11 anos, portanto, continuar na ativa por 27 meses e receber a aposentadoria, pode ser vantajoso.

Na verdade, de acordo com o Dieese[3], mulheres, com trinta anos de contribuição teriam que trabalhar até os 64 anos de idade, para atingir o fator 1, então, não há motivo para adiar a aposentadoria. Essa fórmula maluca não contribui para retardar os pedidos de aposentadoria por motivos óbvios.

Agora, acumulando salário e aposentadoria, o “leão” vai querer sua parte, pois não bastam os cinco meses de trabalho destinados aos impostos, com o qual todos nós contribuímos. É preciso mais, assim deixar defasada a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física é uma boa pedida. Para uma inflação de 5,73%, a correção foi de 4,5% que deve ser a meta estabelecida pelo governo e dane-se se o “dragão” a superou. Meta nem sempre é real, mas é o governo parece utilizá-la com sabedoria, a favor dos cofres públicos.

Mordida pelo “leão” ou queimada pelo “dragão”, expectativa de vida é só mais um bicho papão.

Desejos para 2010: Toilet Paper!

Que a população inicie uma grande campanha de arrecadação de papel higiênico para ajudar a limpar a m… já que após 8 anos de governo o povo continua – de acordo com as palavras literais do presidente – na m…

Que a Campanha do papel higiênico seja estendida também aos funcionários públicos de alto escalão, já que conforme o presidente declarou em café da manhã com jornalistas, eles “estavam porcamente remunerados.”

Que todos os políticos passem a usufruir, obrigatoriamente, do atendimento do IPE sempre que necessário, para a dor de dente, a tendinite, a depressão… e do SUS para os casos de consultas médicas,  internação, etc..

Que os filhos e netos de todos os políticos do Brasil tenham vaga garantida e obrigatória, nas escolas públicas, preferencialmente de periferia, para os rebentos aprenderem desde cedo como é o Brasil real. Não confundir com o Brasil do Real.

Que os políticos corruptos recebem malas, meias, cuecas… com rastreadores para garantir o transporte dos recursos captados com toda segurança que a operação exige e a devida identificação posterior.

Que as aposentadorias e aumentos salariais dos políticos obedeçam as mesmas regras dos trabalhadores da iniciativa privada após 30 ou 35 anos de contribuição respeitando o teto máximo.

Que todo candidato a cargo público faça a prova do Enem, exigência mínima para testar conhecimentos do Ensino Médio, que é o mínimo que se pode exigir.

Que todos os candidatos tenham conduta ilibada, que não respondam a processos de crimes de responsabilidade, contra a Lei de Licitações, peculato, formação de quadrilha, homicídio, estelionato e crime ambiental, entre outros.

Aumento real? Isonomia? Aposentadoria? Juro que não entendi…

O Piso Nacional de R$ 950,00  para os professores foi rechaçado pela governadora do RS, no entanto, agora ela vem a público anunciar que “nenhum professor receberá menos de R$ 1.500,00”.

 

No texto “A hora da modernização dos serviços públicos” (site  jornal Zero Hora) assinado por Mateus Bandeira – Secretário de Estado do Planejamento e Gestão, quarto parágrafo pode-se ler: “Por isso, temos defendido que é preciso avaliar criteriosamente a repercussão de cada novo reajuste […]”.

Gente, juro que não entendi, mas compreendi totalmente.

Tal aumento deve ser para compensar os 143% de reajuste no seu próprio salário, criteriosamente avaliado. Ela também defende pensão para ex-governadores, no que eu concordo desde que seja pago o mesmo valor do teto e somente com os reajustes dados aos aposentados pelo INSS. Seria ótimo averiguar como eles conseguiriam viver, desculpem sobreviver, com aposentadorias que “encolhem” a cada ano. Longa vida para eles se isso se tornasse realidade.

Outros detalhes também devem ser analisados com cuidado: Esse pequeno aumento de 143% equipara sua remuneração ao do chefe do Legislativo. Desta forma, todos eles se beneficiam. O que é ótimo, mas só para eles, já que essa equiparação não se estende a todos os funcionários públicos.  O Princípio da Isonomia, que está previsto na Constituição da República de 1988, expresso no caput do artigo 5º que diz que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” não é real de fato.

Os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovaram (a notícia foi postada dia 08/10/2009) uma proposta de revisão dos salários dos servidores do Poder Judiciário que pode representar um aumento real de 80,17% nos contracheques dos funcionários. A proposta ainda precisa passar pelo crivo dos ministros do STF e depois terá de ser encaminhado ao Congresso Nacional para votação.

Os salários dos ministros do STF e do procurador-geral servem de parâmetro salarial para juízes, desembargadores e procurados, assim, já se sabe que o aumento será estendido para os demais.

Em outra notícia veiculada na imprensa (23/09/09) pode-se averiguar que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou os projetos de lei que reajustam os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, chefe do Ministério Público da União, em 8,88%. A proposta inicial pedia um aumento de 14,09%, mas mesmo o valor ficando abaixo do solicitado, o salário vai ser de R$ 26.723,13.

Houve até manifestação por parte dos senadores pedindo isonomia salarial aos Três Poderes, o que inclui a reclamação para aumento dos próprios salários. Um senador questiona: “Por que não corrigimos os nossos [salários]? Eu não consigo entender. O critério tem de ser único!”, reclamou.

Também concordo com ele, corrigindo o deles e dos demais funcionários públicos na mesma proporção não teríamos policiais, professores, serventes, merendeiras, médicos, enfermeiras e todas demais categorias, descontentes.  Modernizar os serviços públicos? Concordo plenamente, mas por que não começar avaliando criteriosamente? Por que não modernizar cortando as benesses do topo da pirâmide? Por que não rever as mordomias, as diárias, o uso de cartões corporativos?

Fontes:

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/09/23/comissao+de+constituicao+e+justica+do+senado+aprova+aumento+do+judiciario+8605934.html   http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Pol%EDtica&newsID=a2709162.xml http://www.tudoagora.com.br/noticia/4862/RS-Assembleia-reajusta-em-143-salario-de-governadora.html http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/10/08/judiciario+propoe+reajuste+de+80+para+servidores+8782068.html http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2710633.xml&template=3898.dwt&edition=13477&section=1012

Charge: http://etristeviverdehumor.blogspot.com/2009_03_01_archive.html