Descontrole dos Pais e do País

Estamos, nós brasileiros, e em especial os gaúchos, em um debate sobre o que fazer para “sair do vermelho”. O país carece de valores, em ambos os sentidos. Essa carência se reflete na família ou seria o inverso?

Charge: Tacho – 2015

Nossos representantes, sim, nós os escolhemos – e talvez somente nesse item sejam divergentes de um núcleo familiar – perderam o controle da situação, assim como os progenitores que afirmam não entender como o filho enveredou por um mau caminho.

Programas sociais na medida certa promovem a qualidade de vida, mas com 25% da população recebendo auxílio – sob o nome que for – do governo federal, sem contar aqueles estaduais, e somando-se ao financiamento da casa própria para famílias ou pessoas de baixa renda é possível afirmar que um terço (1/3) ou 25 pessoas em cada grupo de 100 são beneficiários de bolsa governamental. Sem obrigatoriedade de participar de cursos de qualificação, sem tempo máximo para receber “bolsa” e sem programa efetivo de planejamento familiar, é difícil prever a efetividade em longo prazo.

Para quem estiver inscrito no programa social do governo ainda há a possibilidade de adquirir uma casa através do Programa Minha Casa Minha Vida. O subsídio pode chegar a 90% do valor do imóvel, desde que o rendimento bruto familiar não ultrapasse R$ 1.600,00 mensais. São famílias de baixa renda cuja prestação do imóvel ficará entre R$ 25,00 e 80,00 mensais. Aproximadamente um em cada cinco beneficiários está com pelo menos uma prestação vencida há mais de três meses do imóvel que recebeu a custo praticamente zero. A inadimplência atinge 17,5% contra 2% nos financiamentos imobiliários em geral. São 30% das unidades – ou 1 milhão – direcionadas às famílias de baixa renda. No momento em que estava fazendo algumas pesquisas para subsidiar o texto, o governo anunciou algumas mudanças no programa.

Pagando R$ 25,00 pelo período de dez anos totalizará R$ 3 mil por um imóvel, muito aquém do valor a ser pago por famílias com renda um pouco mais elevada. O subsídio pode chegar a 95% do imóvel, bancado com recursos do Orçamento Geral da União (OGU). Os pais e o país dão tudo que os filhos precisam, mas não para todos, se bem que nem todos parecem precisar, como por exemplo, aquele indivíduo que ganha pouco mais de R$ 1.800,00 e que paga imposto sobre o rendimento. Esse valor foi ampliado para R$ 2.350,00 com um subsídio menor e juros um pouco mais elevados.

Alguns pais também perdem o controle quando tratam os filhos de maneira desigual, seja por questão de gênero ou de grupo familiar. Ainda há uma visão machista, se bem que talvez não predominante, assim como uma nova composição familiar, com meio-irmão, na qual são agregados enteados ou cujos filhos estão com o(a) ex-cônjuge, aos quais nem sempre é destinado o mesmo investimento, sejam em tempo ou em valores.

Assim também ocorre no país, com seus três poderes, cuja verba é originária do mesmo impostômetro, porém com diferenças na remuneração e nas regalias, ou melhor, nos direitos legalmente criados, mas que permitem que um professor receba um piso similar ao vale refeição de alguns ou que alguns tenham assessores, carros e outros assemelhados que cujos valores seriam melhor aplicados na segurança pública, para a qual por vezes falta até gasolina sem falar nos salários incompatíveis com o perigo ao qual se expõe os policiais.

É como se o pai pagasse um pensão ao filho, estudante de escola pública, usuário de transporte público, mas para o outro provesse casa, comida e carro abastecido, além de arcar com todas as despesas de educação em escola particular e viagens.

Pais controladores, que vigiam em demasia e não permitem que seus filhos façam suas escolhas, podem ser comparados ao País, no qual o excesso de burocracia é um entrave ao desenvolvimento. Exigências demais acabam gerando mais problemas do que soluçãos.

Pais permissivos se equiparam ao país no qual a percepção de impunidade se deve tanto ao fato da morosidade da justiça quanto da aplicação de penalidades consideradas brandas por grande parte da população.

Há ainda aqueles pais que ensinam seus filhos que podem usufruir daquilo que não lhes pertence. Vão ao mercado com sua prole e permitem que consumam alimentos ou que saiam sem pagar pelo chocolate que foi convenientemente guardado no bolso. Outros exploram seus filhos em benefício próprio. Assim também agem alguns políticos que subtraem dinheiro público ou superfaturam obras, as expensas do povo. Exemplos que fazem toda a diferença.

E depois a justiça precisa aplicar a lei, aquela mesma que muitas vezes existe, mas que nem sempre é devidamente fiscalizada. Falta consciência, falta ética, falta reflexão. De apenas palavras, o país e os pais precisam transformá-las em ações.

Sem equilíbrio, resta aos pais ou ao país vivenciar o caos.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s