A velha senhora La Dina Bra Zil

Assistindo o discurso da presidente Dilma, entendi que ela comparou a corrupção a uma velha senhora. Concordo com ela, essa senhora representa uma prática quinhentocentista. Ela agoniza e só se mantém viva através de um intrincado e caríssimo sistema de apoio, que nem sempre está disponível aos pacientes do SUS, pois a esses faltam por vezes até o básico necessário, sejam leitos ou exames sofisticados.

O povo sabe que essa velha senhora deveria ser liberada da máquina que a mantém viva há quinhentos anos. O custo para a população é o encarecimento dos serviços públicos. A fatura é quitada pelo povo.

A família La Dina* Bra Zil espera que tudo continue tudo como dantes no quartel de Abrantes enquanto os acionistas da empresa Impostos e Impostos S.A. esperam ansiosamente o funeral da velha senhora, cuja morte cerebral há muito foi detectada pela população.

Por outro lado, o Brasil é um dos países nos quais os parlamentares recebem os salários mais elevados do mundo em relação ao PIB Per Capita. Entre o prolongamento da vida da velha senhora e os altos salários, o descontentamento parece ser contra a classe política, que além de embolsar um salário aviltante para os padrões da classe média que, de acordo com os critérios estipulados pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), era composta de famílias que viviam com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês, em 2012, ano em que o salário mínimo era de R$ 622,00. (In: http://www.sae.gov.br/site/?p=173510) parecem mais preocupados em manter o “status quo” do que legislar em prol da sociedade.

Não há como enterrar a velha senhora sem dar início ao funeral. As mudanças são necessárias e urgentes. A velha senhora, assim como a velha política e as velhas desculpas de “nada sei”, “jamais recebi”, “nunca pedi”, “nego”, “nunca recebi” ditas e repetidas por tantas figuras que sugam os aparelhos da velha senhora devem ser muito bem comprovados, porém, o que se tem visto, é que as provas costumam comprovar a mentira. Descanse em paz, velha senhora.

* Ladina – astuta, esperta, manhosa.

Publicado originalmente no Jornal NH 19/03.2015 p,12

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