A velha, o Conceito, o Parecer Descritivo e a Nota

Péricles de Andrade Maranhão

Péricles de Andrade Maranhão

Estando com um pé na fila dos “privilegiados” idosos, a tal preferencial ou prioritária, que por vezes é maior que qualquer outra e em outras, especialmente naquelas em que não há senhas, sempre há um idoso que se julga mais idoso que os demais, algumas situações servem de reflexão.

Conversando, ou seria melhor dizer “teclando” no Facebook com uma adolescente para a qual em algum momento dei aula, ela me explicava como era injusto que alguns alunos pouco se empenhavam, mas mesmo assim conseguiam obter CSA enquanto ela por vezes conseguia só um CPA, mesmo fazendo todas as atividades.

Enquanto a conversa rolava, literalmente, fiquei imaginando o momento em que faria uma entrevista para selecionar uma cuidadora ou secretária, pois o caminho é esse,sem volta….viver é envelhecer… manter a lucidez é um privilégio e como o futuro é incerto, ela é presumida.

E a entrevista transcorre num clima de descontração:

– O serviço não exige esforço físico, mas preciso que leias, quando meus olhos estiverem muito cansados e escrevas aquilo que eu ditar. Talvez tenhas que redigir alguns textos utilizando minhas anotações…

– Sem problema, responderia a candidata, talvez pensando que a velha é “gagá”, afinal o que ela ainda quer saber, aprender ou escrever?

– Gostaria de averiguar teu aproveitamento escolar. Tens o histórico?

– Claro,  responde a gentil criatura.

E o papel timbrado me coloca frente a frente com o fato de que nada é igual a boia. Averiguar se a garota sabia muito ou quase nada era objetivo, mas a série de. CPAs, CSAs, CRAs ou PDDA estão mais para genéricos. Boiando, a deriva, sem ter como mensurar… o horizonte é logo ali ou lá adiante?

E assim, mais fácil é recorrer a antiga tecnologia, quase obsoleta e solicitar uma boa redação… que a candidata escreva algumas linhas explicando sua aptidão, mas com precisão, pois preciso saber que o domínio da língua portuguesa seja mais que CPA.

A porcentagem tem suas vantagens, mas em números absolutos os contornos podem ser melhor entendidos… Parecer descritivo, numeral ou alfabeto… cada qual com uma aparência e ela nem sempre é o que parece…E lá vem a lembrança do saudoso Amigo da Onça…

Construção Satisfatória de Aprendizagem, Parcial ou Restrita dizem tanto quanto descrever o idoso como uma pessoa com cabelos brancos e rugas. Descreve, mas não comprova a idade real. Conceituar o idoso por características físicas é possível, mas se não houver uma delimitação de faixa etária, qualquer pessoa que apresentar as mesmas, poderá se dizer idoso, enquanto outras, privilegiadas  por herança genética ou cirurgias plásticas, podem não ser percebidos como tal. Idade, traduzida por um numeral, comprova.

Realmente, estou velha, prefiro medir com a régua para ter o tamanho exato. Se a descrição tem suas vantagens, sem a idade, sou velha de fato. E, se a velhice não é a melhor idade, pelo menos vai me permitir algumas vantagens.

Para conhecer a opinião de alunos, o saudoso “Amigo da Onça” e outras “velhices” incorporadas na minha memória, seguem os links:

http://aopiniaodoaluno.blogspot.com.br/2013/05/notas-por-conceitos-csacpa-e-cra.html

http://memoriaviva.tumblr.com/

http://literaturaearte0809.blogspot.com.br/2013/04/o-amigo-da-onca-no-dia-do-desenhista.html

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