O professor no espelho

Sinovaldo – GrupoSinos.com.br

SINO abc 1301 2013 CMYKUma imagem vale por mil palavras. Velho ditado, mas, a qualquer tempo hodierno.  As Charges – com letra maiúscula, pois aprendi que nome próprio começa sempre assim, se bem que hoje alguém pode dizer que é “caixa alta” –  são o reflexo da sociedade em um dado momento e merecem  ter status de estrelas, assim como a maioria dos autores.

Os chargistas são uma classe especial de artistas, pois conseguem resumir eventos e fatos, traduzindo realidades nos traços simples ou rebuscados, ora brincando com a tristeza, ora dramatizando a alegria. Por vezes, conseguem até congelar o tempo, tornando-se atemporais, se bem que essa não seja uma característica comum a elas.

Os chargistas não costumam priorizar um assunto. Usam todo e qualquer tema que seja atual, mas por vezes, sabe-se lá por que motivo oculto conseguem em uma imagem, relatar todo drama de uma categoria.

As duas charges que ilustram o texto, utilizadas com a permissão do autor, refletem  o drama, – ops… acho que vou trocar por “problema” para não ser dramática –  que afeta a educação pública em alguns rincões desse imenso país de dimensões continentais . O chargista desenha aquilo que a sociedade percebe ou a sociedade percebe aquilo que o chargista desenha?  O espelho reflete aquilo que está diante dele, ou,,, Não importa. Importante mesmo é que a situação exposta nas charges não é reflexo apenas da reclamação de professores, que de acordo com alguns, estão sempre reclamando, de barriga cheia.

Se a ideias do chargista render frutos, ou melhor, cestas,  parte do problema estaria resolvido, para alegria de uns, que com toda propriedade diriam: – reclamando de barriga cheia. Por outro lado, difícil seria guardar os poucos alimentos, pois logo eles seriam sugados pelo sumidouro, já que não há piso capaz de deter a erosão do salário, ops…do solo amado da pátria Brasil.

Professores são,  portanto, vistos como pessoas de pequenas, mas bem pequenas posses.  Pose até fazem, todo dia diante do espelho, treinando a melhor expressão para não deixar transparecer a desilusão e continuar vendendo a ideia de que educação é a solução. Solução para que? Para quem?  A educação é emancipatória? Não para o professor. A educação proporciona direitos? Não para o professor. A educação forma cidadãos? Não se for professor…Se fosse emancipado, seria um cidadão com direitos plenos,  trilhando seu caminho sobre o piso bem pavimentado, por Lei.

Charges do Sinovaldo publicadas no Jornal ABC – 13/01/2013 e Jornal NH 15/01/2013

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