Educação: uma mina de diamantes não explorada*

*Título orignal – “Educação: uma mina de diamantes pouco explorada”. Por questão de coerência a palavra “não” substituiu “pouco”.

Exploração não combina com educação e assim como a mina, pode ser contestada, por remeter ao capitalismo imperialista, mas o texto não tem a pretensão de defender qualquer corrente ideológica e sim levantar algumas questões inerentes ao processo educacional.

Cada novo governo traz consigo inúmeras acomodações político partidárias e uma visão própria  de como deveria ser esse processo, nem sempre compatível com a de seus antecessores.

A cada mudança todo o sistema educacional público – municipal, estadual ou federal – enseja adaptações.  Conforme previsto na LDB, agora é a vez da implementação do ensino Politécnico, que não é profissionalizante, mas baseado em eixos estruturantes, áreas de conhecimento e suas tecnologias.

Palavras pomposas nos dizem que o diamante existe, mas não fornecem o mapa da mina ou o GPS, nem mesmo aquele ilegal, comprado pela guarda civil de São Paulo por R$ 2.400.000,00, que bem poderiam ser gastos em ações preventivas e educativas.

Por ser politécnico, não pretende a profissionalização, mas prevê ações voltadas ao mundo do trabalho. Trocando em miúdos, não seria ensinar como é feito, mas o que pode ser feito, desenvolvendo a capacidade de pesquisar, selecionar e analisar as informações, formular hipóteses, criar e recriar, substituindo a especificidade do Ensino Médio, voltada para a formação geral. Assim, a Educação Politécnica seria a ponte entre a educação geral e a profissionalizante.

Propõe que haja um aumento de carga horária de 200 horas, redução de carga horária de algumas disciplinas como português e matemática e aumento de outras, como sociologia e filosofia. Alunos do noturno terão como alternativa “aulas a distância” e participação em seminários, que deverão integrar as diversas áreas do conhecimento.

Implantar tal mudança, contando com a participação e o envolvimento dos professores para encontrar a mina, sem mapa, nem GPS, sem coordenação, sem que tenham em sua formação uma base sólida para desenvolver um projeto dessa envergadura é no mínimo correr o risco de que tal mina jamais seja encontrada.

As “discussões” sobre a implantação do ensino politécnico iniciaram no segundo semestre de 2011, sem aprofundar a questão, sem debates democráticos, sem permitir adequações, ou seja, “imexíveis” na essência.

Consideram que os professores achem a mina, colocando em prática fórmula mal formuladas e esperam sucesso. Sinto muito, mão-de-obra não recebe para pensar, trabalho intelectual custa caro. Querem encontrar a mina e usufruir dos diamantes escondidos? Criem mecanismos para encontrá-la, o que, diga-se de passagem, nem é tão difícil de fazer, entretanto, não esqueçam que é preciso investir em recursos humanos e ferramentas tecnológicas, não apenas em quadro-negro e giz.

*http://wp.clicrbs.com.br/doleitor/2012/03/15/artigo-educacao-uma-mina-de-diamantes-pouco-explorada/?topo=13,1,1,,,13

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s