Educação: Um cãozinho que corre atrás do rabo.

Sempre que penso nos inúmeros problemas relacionados à educação, imagino um cachorro correndo atrás do rabo e aqui abro um parêntese para agradecer ao psicólogo Fernando Elias José, que gentilmente autorizou o uso da imagem do simpático cãozinho, que  ilustra o blog Psicologia do Vestibular (clicrbs).

Professores, através dos anos, ensinam alunos, bem ou mal, e muitos deles se tornam professores. Alguns ótimos, outros nem tanto.  A falha está na pessoa ou na educação? O sistema contribui para que isso ocorra? Se a educação, até poucos anos atrás, tinha uma qualidade superior, como ocorreu essa ruptura que desestabilizou o sistema educacional? Ela é decorrência das mudanças sociais, que afetaram inclusive a nova geração de professores?

Os cursos de Magistério  e Licenciatura ganharam adeptos? Cursos de Licenciatura são os mais procurados  nos vestibulares? Quantos candidatos há por curso? Em maior ou menor proporção do que os inscritos para medicina, direito, administração?  Quantos cursos desses últimos oferecem bolsa, a exemplo das licenciaturas? Qual o salário que um professores de escola pública pode almejar? E um médico, para as mesmas horas de trabalho? Há valorização efetiva do professor?

Baixo salário não é o único problema.

Uma colega de profissão costuma dizer que a estabilidade é ótima para o indivíduo, mas péssima para o coletivo, completo dizendo que o inverso ocorre com a meritocracia, que se individualizada pode até ser boa, mas deve ter critérios específicos e muito bem definidos, com avaliações em diferentes perspectivas. Quantos professores são reprovados no estágio probatório? Quantos são reprovados em exames psicológicos? Quais os critérios dessas avaliações? Elas realmente detectam os profissionais despreparados? Quais os critérios da meritocracia? Conhecimento, relacionamento, frequência, advertências? Há pessoas especializadas e em número suficiente para coordenar e aplicar uma diversidade de avaliações? Não há professores, nem bibliotecários, ou merendeiras em números suficiente em muitas escolas…

Avaliações são tradição na escola e não podem ser descoladas do aprendizado, porém no sistema educacional  inúmeras são as queixas: alunos que não querem aprender, são indisciplinados, alunos adolescentes dividindo espaço e série com crianças, pais que nunca comparecem na escola e por ai vai. Não reprovar para evitar a distorção série/idade? Sob pena de continuar a engrossar o número de analfabetos funcionais? Sem reforço não há solução, mas onde encontrar mais professores, mais verbas ou mais interesse dos alunos?

Muitos desses alunos recebem auxílio do governo para estudar, mesmo sem apresentar bom rendimento. Se o problema está na estrutura família e social, ou melhor, na desestrutura, o foco não deveria estar direcionado para ela, com atendimento psico-social? Não seriam os pais os primeiros responsáveis por incutir valores nos filhos, sendo isso reforçado na escola? Há uma clara inversão de papéis.  Direitos a maioria conhece, mas poucos se atem aos deveres inerentes. O auxílio governamental não deveria estar atrelado a formação dos pais em cursos profissionalizantes, ao comparecimento efetivo dos mesmos em todas as reuniões escolares ou ao bom desempenho dos filhos na escola?

Escolas sem infra estrutura, sem local adequado para prática esportiva, sem salas e/ou monitores de informática. E, se não me engano, em breve música passa a ser disciplina obrigatória, só falta saber de onde vão surgir professores, instrumentos ou salas acusticamente adequadas, se nem as salas de aula são projetadas para tal.

Não é necessário ser mestre ou doutor, muito menos Phd, para em poucos minutos, criar um rol das dificuldades que parecem aumentar a cada dia. Os problemas iniciam no Ensino Fundamental  e vão se agravando até “estourar” no curso de graduação, quando professores descobrem que os alunos não sabem elaborar ou interpretar um texto ou até mesmo a tabuada, conforme noticiado no Estadão em 01 de julho de 2011, revelando que instituições de SP fazem reforços paralelos até de tabuada para que os alunos possam acompanhar a graduação e parte deles, em licenciaturas.

Professores mal formados? Alunos mal preparados? Espaços inadequados ou mal projetados? Falta de pessoal? Baixa remuneração? E então? Uma solução viável para um só desses problemas seria um bom começo, de outra forma o cãozinho vai continuar a correr atrás do próprio rabo.

Uma resposta em “Educação: Um cãozinho que corre atrás do rabo.

  1. Um dos principais problemas, não apenas na educação, mas em uma gama muito maior na nossa sociedade/problema é a inércia da atualidade. Hoje em dia, tudo é conectado, tudo parece passar muito mais rápido, então “tentamos” acompanhar essa propagaçao de notícias, acontecimentos entre outras coisas que envolve nossa vida particular e social. Mas por razões óbvias, não damos conta, não acompanhamos nem um décimo do que acontece em nossa volta, e acabamos muitas vezes, tendo de acelerar muito os processos (inclusive o de aprendizado).
    Temos a mesma carga horária a muitos anos (talvez até tenha aumentado) nas salas de aula, um curso superior agora também está mais acessível e dura em média quatro ou cinco anos. Então aonde está o problema?
    Vejo dois pontos “problemáticos” sem realizar nenhum estudo, apenas opinião talvez. O primeiro, é a quantidade. Em qualquer coisa, não existem apenas pessoas que fazem muito bem determinada coisa. Por exemplo, para cada bom professor, quantos são razoáveis ou péssimos há? Aposto que em qualquer profissão na sociedade há vários profissionais ruins para um bom ou razoável. Mas não podemos descartar os profissionais ruins, afinal, como poucos bons vão ser capazes de prover sustento (seja qual for sua profissão) necessário para cobrir a demanda? Seja demanda de conhecimento ou de mercadorias físicas, hoje a sociedade, o planeta como um todo, tem tido a “necessidade” de mais e mais sempre.
    O segundo ponto seria como falei no ínicio, a inércia. Posso citar de exemplo uma pessoa comum, que trabalha oito horas diárias e vai a faculdade a noite. Ela passa oito horas fazendo sua função como profissional. Ás vezes sua profissão não coincide com seu curso, então ela passa apenas 4 horas/dia realmente aprendendo sobre o curso em qual ela estuda (sem contar as horas que ela passa estudando fora de aula ou fazendo trabalhos).
    Mas o problema vem de antes. Afinal na faculdade, já se entra uma pessoa já pré-formada de pensamentos e opiniões (algumas continunam sem isso, mas em generalização acreditamos que todos tem pensamentos e opiniões individuais). O problema se inicia no colegial e no fundamental. No sistema brasileiro o aluno tem a obrigação de comparecer na escola por um pouco mais de quatro horas diárias. Então as crianças/adolescentes têm a manhã ou a tarde livres, com isso há muitas horas para entrar em contato com conhecimento e entreternimento que os deixem inertes (jogos, desenhos, filmes, etc). Apenas se os pais colocarem seus filhos em algum curso no horário contrário à escola. Se não eles terão horas para se esquecerem do que aprenderam na escola e absorverem conhecimentos gerais (ainda mais atualmente, em que tentamos acompanhar o máximo possível das notícias e coisas lançadas).
    Um modelo simples que podemos apontar para mostrar como seria bom o período de aula integral é o japonês. As médias mundiais de aprendizado do Japão são muito superiores que as brasileiras, e inclusive de outros países com infra-estrutura boa. O período integral escolar, faria com que as crianças/adolescentes se conectassem de forma mais próxima e íntima da escola, fazendo-os terem interesse, e consecutivamente, aprendendo.

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