Uma explosão educativa

Não foi a imprevisão explosiva de mais dois bueiros na zona sul do Rio, que esvaziou a última sessão plenária do primeiro semestre de 2011 no Senado.

Afinal, tudo nesse país parece levar para o depois… talvez… quem sabe… amanhã, se der, se houver quórum, se houver verba, se houver boa vontade…O recesso do Senado também segue a lógica, afinal só uma sessão e logo na segunda-feira, melhor mesmo nesse caso é antecipar. Os bueiros do país que explodam, depois “nóis ve como faiz”.

Como sou integrante da categoria de trabalhados da educação, o “recesso” só inicia na próxima semana, essa, de férias para os alunos, reuniu professores por esse Brasil afora, em atividades voltadas para a formação pedagógica.

Com atraso de 40 minutos do horário marcado para o início da palestra, a mesma trouxe a baila inúmeros problemas e um único exemplo de uma prática utilizada em uma escola para melhorar a educação ou a falta dela, visando diminuir a violência entre alunos. Outras práticas ou exemplos? Não lembro. Talvez tenha cochilado no interim, pois lembro que em algum momento elaborei mentalmente todo um plano de aula e devo ter feito isso sonhando. Minha metodologia de formação pedagógica é meio extravagante, bem sei.

O auditório repleto, muitas conversas paralelas, chimarrão e biscoitinhos, erva-mate colorindo o carpete em alguns pontos e minha paciência se esgotando. Coisas da idade talvez ou da baixa tolerância? Depois de dobrar o cabo da Boa Esperança, navegando de vento em popa, descubro-me com essas esquisitices e fico imaginando que alguns daqueles professores prefeririam estar em sala de aula, tomando chimarrão com os alunos.

Minha tolerância é infinita em sala de aula, mas ganha contornos de rabugice quando escuto o mesmo velho discurso na potência dez elevada a seis. Se dez desses problemas fossem elevados a potência 1, estaríamos com todos eles solucionados.

Me convidem para uma palestra, seminário ou conferência na qual a exigência seja encontrar soluções viáveis para dez situações problema, com todas suas implicações ou esqueçam de mim. Prefiro gastar meu tempo e ganhar meu salário, mesmo ele não sendo lá essas coisas, no ócio criativo, “bolando” minhas aulas ou aplicando-as na prática.

E se querem saber por que os bueiros explodem, explodem por ti, porque os sinos já pararam de dobrar, cansaram e entraram em recesso.

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