Educação do RN ao RS

Recebi uma mensagem de um ex-aluno, um dos raros e assíduos leitores desse blog, com um vídeo no qual uma professora – Amanda Gurgel – do Rio grande do Norte, faz um desabafo que representa o pensamento da, creio eu, maioria absoluta dos educadores. Parabéns, Amanda. Foram 8 minutos muito bem utilizados. E o 8 se repete abaixo. Será coincidência?

Aqui temos o pastel de vento, lá o cuscuz, fora isso, a situação se repete com uma similaridade impressionante. Anos atrás, quando minha filha mais velha tinha 8 anos, idade da minha neta hoje, o Rio Grande do Sul vivenciou a mais longa greve do magistério. Foram 98 dias. Naquele tempo não pensava em me tornar professora, mas entendi e apoiei a reivindicação dos grevistas. Passaram-se mais de 20 anos e a situação não mudou, ou melhor, mudou para pior.

Depois daquela greve, houve uma tentativa de implantar um calendário rotativo, invenção que não deu certo, mas que tinha o intuito de “educar” mais crianças sem ampliar o número de escolas e de professores.  Avanços – seja no salário ou em melhores condições de trabalho – não foram percebidos pelos professores, se é que pode-se dizer que existiram.

Greves continuam ocorrendo, salários continuam minguados e salas, cada vez mais, superlotadas. Professores continuam se desdobrando entre escolas, muitos deles em diferentes redes públicas ou particulares e tão longo consigam uma oportunidade, pulam fora do sagrado ofício do magistério.

Muitos estão desistindo por não aguentar a pressão, sentem-se extenuados ao final de uma jornada de trabalho em salas de aulas que acolhem no mesmo espaço crianças de 11 anos e adolescentes de 15 anos de idade, que apresentam comportamentos e interesses diversos ou alunos agressivos, que já não são novidade. Na inclusão, cujos alunos assim denominados deveriam contar com acompanhamento diferenciado, são inseridos para socializar, já que não há profissionais qualificados para atendê-los e orientá-los da forma como merecem e necessitam.

O Brasil está em 88 º lugar no ranking de educação da Unesco. Incompetência ou desinteresse?  Dos professores, com seus baixos salários, giz e quadro negro ou dos governantes, com seus altos salários e ambientes climatizados?

Agradeço ao Eduardo Kasper, ex-aluno que aprendeu muito mais que História e Geografia, aprendeu o que para mim há de melhor na educação, aprendeu a pensar e  a utilizar seu senso crítico. Obrigada Eduardo, por lembrar da “sora” enviando comentários ou textos que sabes que vão me interessar.

Link para o depoimento da professora Amanda Gurgel

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