Acorda Brasil! O alarme do despertador da educação já tocou.

                                                                        Angela I. Maieski*

Numa época de twittadas com no máximo 140 caracteres, textos longos “passam batido”. Talvez  por exigirem tempo em demasia, ou quem sabe por  exigirem reflexão e atenta leitura?  Leia se for capaz de manter a concentração. Se houver palavras desconhecidas, use o dicionário, ações essas que se exige de qualquer bom estudante.

Professores e políticos talvez façam parte de uma minoria leitora, não
fugindo de escritos com mais de um parágrafo, pela extrema necessidade de
manterem-se informados e atentos aos problemas educacionais que assolam o país verde amarelo azul e branco.  Justifica-se, portanto, a leitura.

A tragédia ocorrida na escola de Realengo, porém, não se justifica, nem se
explica. Traçar um perfil pode ajudar a prever o perigo, mas o ideal seria
que permitisse antecipar uma ação e isso só seria possível se houvesse um
trabalho efetivo e contínuo de apoio psico-pedagógico em cada escola.
Salas de aula são espaços que abrigam um aluno por pouco mais de um metro
quadrado. Um grupo de indivíduos que apresentam diversidade de condutas,
alguns com histórico de problemáticas comportamentais, cognitivas e
emocionais.

Câmeras de vigilância, monitores ou fiscais nos corredores, podem diminuir
as ocorrências, mas jamais serão efetivas ou preventivas nos casos de
descontrole emocional.

“Miúdos” que chutam, dão tijoladas, mordem ou avançam em professores e
colegas são fatos que ocorrem com uma frequência assustadora. Adolescentes que apresentam semelhantes comportamentos também não é novidade a ser relatada.

Assim como proibir celulares para impedir alunos de filmar gafes de
professores registrados em falas ou escritas, em atitudes despauteradas ou
descontroladas não resolve o problema, apenas dificulta a comprovação do
fato e é contraditório na sua aplicação, já que,  ao mesmo tempo,
defende-se o uso de câmeras de segurança. Por outro lado, temos
professores desrespeitados, ameaçados, coagidos e agredidos. Consequência? Descontrole emocional.

A não utilização de celulares em determinados espaços é uma questão de
educação ou consciência. Desligar ou deixar no silencioso. Utilizar
somente quando houver solicitação expressa – pode ser uma boa ferramenta
de aprendizado em sala de aula.   Teatros, cinemas, conferências, etc. não
precisam de leis contra o celular, basta educação. Essa mesma que está
tocando o sinal de alerta.

Comportamentos agressivos repetitivos deveriam se investigados, mas também punidos, assim como a ausência dos pais nas reuniões escolares ou quando solicitados para comparecerem na escola. É dever de pais e alunos
respeitar o ambiente e as normas escolares, porém não há punição no caso
de descumprimento das mesmas. Advertências  e suspensões em geral acabam gerando  efeito contrário.   Não votar nas eleições cria embaraços para o faltoso: matrícula, emprego, concurso, etc. nem pensar, se não houver o comprovante de votação. Há inclusive multa para quem não apresentar
justificativa. Na escola, imperam os direitos e “deveres” é apenas uma
palavra entre tantas que encontramos no dicionário e que não tem
absolutamente o mesmo status do seu antônimo.

Alunos que reprovam por absoluta falta de interesse, que utilizam a famosa
fórmula 1 em 2, amplamente utilizada pela propaganda mas ao inverso,
cursando cada série duas vezes, que aos 15 ou 16 anos, sem qualquer
diagnóstico de inclusão, dividem o espaço com crianças de 11 ou 12 anos e
muitas vezes acabam transferidos para outras escolas, douram as
estatísticas, pois não são reprovados nem evadidos, mas continuam fazendo
parte da chamada distorção série/idade. Esses alunos deveriam  arcar com o
custo correspondente ao ano sobressalente, revogando-se assim o
desperdício do dinheiro público.  Essa distorção acaba refletindo na
própria relação entre colegas, crianças e adolescente, que apresentam
interesses, pensamentos e dúvidas semelhantes, em idades cronológicas
mais próximas.

E, para proporcionar-lhes uma oportunidade de não arcar com o custo já na sua primeira reprovação, deveriam ser oferecidas aulas de reforço no turno
inverso. Após, o ônus passaria a ser da família, liberando o Estado de uma
obrigação para com aquele que não tem interesse e disposição para estudar.

A minoria acaba impondo uma ditadura paranóica, criando conflitos
prejudiciais aos demais. Assim, busca-se vigilância, segurança, culpados,
quando  se deveria  buscar as causas do comportamento  e conceder-lhe o
tratamento adequado. A dor, física ou mental, maltrata e corrói. Seja ela
violência ou bullying. A falta de interesse atrapalha e bloqueia o
desenvolvimento intelectual. E como não somos indivíduos homogêneos é
preciso levar em conta a idiossincrasia e implantar ações apropriadas a
cada situação.

Investir em educação engloba um conjunto de ações e não apenas melhores
salários ou mais professores. É preciso acabar com a corrupção e com a
impunidade – maus exemplos disseminados e percebidos como “normais” – com a desvalorização dos profissionais da educação, com a escola sucateada e com a insegurança. É preciso qualificar os professores, permitir-lhes
autonomia no desempenho de sua função, respeitando a forma que cada um
utiliza para transmitir o conhecimento. É preciso investir em competência
argumentativa e emocional. Assim como é necessário que o aluno valorize o
conhecimento e o profissional que o transmite.

*Graduada em Ciências Sociais e professora de escola pública.

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