Bulliyng – Pequenas ações de conscientização

Leciono em escola pública para três turmas de oitavas série. Um fato que desperta atenção é a rapidez com que uma liderança negativa se impõe sobe os demais. Procuro, além de trabalhar os conteúdos das minhas disciplinas, colocar questões sobre relações humanas e mesmo que isso pareça ser intrínseco a qualquer disciplina, nem sempre ocorre.

Em geral, um ou dois alunos lideram as “brincadeiras”, criando apelidos, debochando de atitudes ou roupas e acabam arregimentando outros. Quando detecto algum problema e julgo poder conte-lo antes que se agrave, aproveito alguma oportunidade relacionada a algum trabalhado a ser desenvolvido, que gere reclamações por algum motivo – sempre há alguém que reclame, seja do prazo, seja do tema – para argumentar usando minha pessoa como exemplo.

Digo-lhes que não são obrigados a gostar de mim, como pessoa ou como professora, e tem o direito de expressar essa opinião, desde que de forma educada, assim como tem o direito de não me convidar para uma festa de confraternização, mas não têm absolutamente o direito de serem mal-educados, assim como não sou com eles. Como respeito suas opiniões, devem respeitar as minhas e isso se aplica também aos colegas. Com alguns se tem mais afinidades, com outros menos, mas todos merecem ser tratados com respeito. Isso também ocorre com os trabalhos, alguns exigem mais empenho ou são mais interessantes, outros menos, mas todos devem ser realizados. Em geral, dá resultado e o “recado nem tão subliminar” é introjetado. Salvo raríssimas exceções, aos poucos consigo fazer com que a vítima do “apartheid” seja inserida ao grupo.

Outro problema que vem ganhando espaço, nessa era virtual, é o ciberbulliyng. Orkut, msm, blogs e outras redes sociais começam a ser utilizadas para “detonar” os colegas. Outro dia alguns alunos me informaram que alguém havia criado uma dessas páginas e que estava colocando textos debochados ou maledicentes sobre os colegas. Disse-lhes que iria confirmar a informação e foi o que fiz. Após, levei algumas reportagens sobre o assunto, nas quais alguns pais foram obrigados a indenizar colegas ou professores pelos atos praticados pelos filhos.

Aproveitei para esclarecer que existe o chamado dano moral por calúnia ou difamação e é assim considerado qualquer ato que cause sofrimento, dor, vergonha ou atente à reputação de uma pessoa. Lembrei-lhes ainda que qualquer página criada pode ser rastreada e que tanto o MPF quanto a PF faz esse tipo de trabalho nos casos de crimes cibernéticos. Completei dizendo que, mesmo no mundo virtual, não existe anonimato que dure para sempre.

Foram pequenas ações que deram resultado.

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Uma resposta em “Bulliyng – Pequenas ações de conscientização

  1. Angela, fico contente de saber que existem professores como você, que aproveitam as oportunidades do dia a dia para discutir e refletir sobre comportamentos e atitudes dos alunos. Este é o verdadeiro educador, papel que todo professor precisa assumir com mais paixão.
    Acredito neste trabalho diário e penso que só assim é possível a mudança de atitudes.
    Parabéns!

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