Um orgasmo educativo

Este texto é uma reflexão e uma provocação. Críticas, questionamentos e contribuições  serão bem recebidos.

A educação debatida e revisada, ganha enxertos, subtrai-se aqui, soma-se ali, insere-se leis em leis, editam-se atos complementares, decretos, medidas provisórias… Sucedem-se eleições e governos, passam-se os anos, novos candidatos surgem e todos, sem exceção colocam a tal educação entre as prioridades. Era assim há 50 anos e continua do mesmo modo no século XXI.

As escolas continuam praticamente iguais aquelas que existiam há séculos, ganharam pequenos adereços, como TV, CD, DVD, e parcos laboratórios de informática, muitos dos quais com equipamentos tecnologicamente defasados, sem monitores para atendimento aos alunos, sem técnicos de informática para dar o suporte e resolver os problemas que frequentemente surgem. Os professores continuam trabalhando na base do quadro negro e giz, rodando a manivela do mimeografo e reproduzindo o comportamento de colegas que praticaram essa atividade em séculos passados.

Esse ensino, tão debatido e criticado, não gera prazer, antes cria uma ojeriza, na qual muitos se sentem impossibilitados de ensinar e outros já nem se dão ao trabalho de fingir aprender. Precisamos sim de um orgasmo educativo. Crianças e jovens devem encontrar satisfação, prazer, deleite com o conhecimento. Devem sim ter um orgasmo educativo, cerebral ou intelectual se preferirem, para que a educação adquira valor, tornando-se realmente importante pelo bem estar que pode gerar.

Crianças e adolescentes buscam alternativas para o prazer. Bulliyng, drogas, bebida e sexo são meios de obter prazer, se bem que dúbios e contraditórios, pois acabam gerando conflito e dor, quando utilizados por crianças e adolescentes. Esses comportamentos de risco, que permitem apenas um prazer momentâneo, poderiam ser substituídos por atividades que lhes permitisse liberar energias e produzir endorfinas.  Esportes, teatro, música… há toda uma  gama de atividades que contemplaria todos os gostos e interesses, porém há falta de espaços adequados e disponíveis para atender a demanda. Em muitas escolas não há nem espaço suficiente para atender aos alunos sem amontoá-los em salas de aula, muitas delas sem áreas cobertas para prática de esportes, nem locais adequados para oficinas de teatro ou música, muitas não possuem salas livres em qualquer turno. Representar a história na peça de teatro, filmar a dança, fotografar o meio ambiente, editar o trabalho de geografia com fotos e textos, reproduzir a planta baixa em escalas variadas, recriar o problema de física no computador…  criar, criar e criar. Os jovens são ávidos de experiências e adoram utilizar novas tecnologias. Deveríamos utilizar suas habilidades para gerar competências.

“I have a dream”: Escolas bem projetadas, com boa acústica, ventilação adequada, climatizadas, com mesas e cadeiras ergonométricas, com quadros brancos ou até digitais, laboratórios de informática e bibliotecas com espaço suficiente para comportar 20% dos alunos de um turno ao mesmo tempo, salão de atos para apresentações e claro, profissionais para atender em todos os horários. A realidade, porém, nos mostra escolas sucateadas, bibliotecas fechadas, serviços de supervisão e orientação inoperantes por falta de profissionais.

A educação encontra-se diante de um impasse. Planejar listas de conteúdos baseados em habilidades e competências, mudar parâmetros curriculares, inserir mais uma série ou disciplina, ampliar dias letivos ou horas de aula, legislar sobre a obrigatoriedade do ensino médio ou de bibliotecas, por si só não resolverá o problema da falta de prazer de estudar. Precisamos pensar em como produzir um orgasmo educativo, sob pena de termos gerações vindouras ainda mais apáticas e desinteressadas.

Uma resposta em “Um orgasmo educativo

  1. Se tivessem realmente priorizado a educação nos anos 50, hoje não teríamos este tipo de escola. Daqui há 60 anos, dirão a mesma coisa. Mudam-se as pessoas, governos, leis, mas não muda-se o jeito de pensar, muito menos o de agir. Como já dizia a música “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.
    Belo texto.

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