Bruxas, Livros e a Avenida de Histórias

Feira do livro. Tarde de primavera com cara de inverno, não me parecia ideal para visitar tão ilustre local, tarde mais apropriada para ler um livro no sofá, mas diante da solicitação da Gaia, vestida a caráter na fantasia de bruxa, dizendo que “precisava” visitar a Bruxa Filó, com aquela urgência infantil própria da idade, não encontrei razão forte o suficiente para não ir ao local. Além da “visita”, havia também o interesse na compra de mais alguns livros, para compartilharem, com dezenas de outros,  as abarrotadas prateleiras do quarto infantil.

Nem reclamar posso, pois ela ainda bebê, com algumas semanas de vida, ganhou dessa avó um livro da Bruxa Onilda, sabe-se lá se não vem daí seu amor pelas bruxas, seja ela a Filó, a Onilda ou a Bruxa Boa, da Lya Luft.

Prioridade era a compra para a neta, mas sempre acabo levando algum (ou alguns) ou sinalizando para minhas filhas, aquele que será mais um presente perfeito, fácil de carregar, não precisa de pilha ou energia elétrica, não desbota, não precisa recarregar, pode ser lido infindáveis vezes por inúmeras pessoas. Existe outro mais perfeito?

Da barraquinha da Bruxa Filó avistei o Henrique Schneider, escritor que já “conhecia” por acompanhar suas crônicas no NH, por ler seus livros e até participar de um “bate papo” no Centro de Cultura ao qual levamos os alunos, no ano passado. Lembrei que havia lido alguns comentários sobre o seu novo livro –  Avenida de Histórias – que estava sendo autografado pelo autor. “ Uau”! Agora tenho um livro autografado pelo Henrique, herança inestimável a ser deixada aos netos, se forem tão aficionados por livros como a avó.

Um livro repleto de lembranças, de cheiro de infância, de nostalgia. Num dos textos, fala sobre um convite de enterro espalhado pela cidade e as gerações mais novas terão que imaginar o que seria o tal convite. Impresso em preto e branco, reproduzia (ou será o contrário) os anúncios fúnebres dos jornais.  Eram afixados em postes e até em vitrines. Quanto mais conhecida a pessoa, maior a quantidade de convites espalhados pela cidade.

De reminiscência em reminiscência , lembrei da calmaria da cidade, pequena e acolhedora,  onde andar na rua era seguro e vejo porque os saudosistas defendem o retorno de algumas coisas do passado, que as vezes mal sabem o que é, mas sem querer abrir mão dos confortos do presente. A cidade cresceu, se expandiu, assim como o mundo e paradoxalmente, encolheu. As pessoas são na maioria, ilustres desconhecidos e ao mesmo tempo conhecemos quase imediatamente o bebê que acabou de vir ao mundo no outro lado do mundo.

O eixo do tempo não pode girar ao contrário, mas, outro paradoxo, volta pela maestria das palavras do escritor. Obrigada Henrique, por proporcionar boas gargalhadas e ótimas lembranças, se bem que também ouve uma tristeza doida. “Devorei” o livro e ficou um gostinho de quero mais.

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