MST x Investimento Público

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil – MST, surgiu na década de do 80, ao final de vinte e um anos de ditadura militar. O processo de redemocratização possibilitou a organização do movimento que teve origem nos conflitos agrários do final dos anos 70. Nesse período, o governo implantou algumas medidas, que se não foram uma reforma agrária nos moldes  pretendidos pelo movimento, possibilitou a colonização de terras na região centro-oeste do Brasil. A grande maioria não aceitou essa mudança, pois queriam terras nas regiões onde viviam. Alguns, porém, resolveram arriscar e hoje a região centro-oeste conta com inúmeros gaúchos administrando com sucesso seu agronegócio iniciado há 30 anos atrás, quando compraram as propriedades a baixos preços. O aspecto lamentável foi a falta de orientação técnica que acabou comprometendo o meio ambiente.

A necessidade de Reforma agrária não pode ser contestada. Desapropriar latifúndios é a única solução, pois terra serve para plantar, mas ela mesma não pode ser plantada. Com técnicas adequadas e mecanização, mesmo em propriedades menores, a produtividade pode ser alta, como ocorre nos Belts (cinturões agrícolas) norte-americanos. No Brasil, a falta de fiscalização e a corrupção também assolam a Reforma Agrária como um todo, terras supervalorizadas, venda de glebas, grileiros…comprometem o programa.

Criar Cooperativas poderia ser uma boa solução. Com uma linha de crédito aprovada através de financiamento público, com juros baixos, e não essa exorbitância cobrada pelo sistema financeiro, que levaria a bancarrota qualquer empreendimento desse tipo, com carência de 5 ou 10 anos, assim poderiam comprar a terra da qual necessitam, no local que melhor lhes aprouver. Donos da própria terra, poderiam seguir os princípios originais do socialismo, administrando democraticamente, revezando os associados na direção, com diretrizes discutidas e aprovadas em assembléias, empregando qualquer lucro no próprio negócio ou, no mínimo distribuindo igualitariamente entre todos os associados, passando longe da lógica empresarial capitalista.

Comprar, porque no sistema capitalista, todos os cidadãos pagam impostos e todos têm direitos iguais perante a lei. Impostos também financiam a educação, saúde, saneamento básico, habitação… Se a terra é desapropriada, ela tem um custo, que é pago por toda a população, não apenas daqueles que dela se beneficiam. Administrar através de princípios socialista é uma opção.

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