Brasil de Encantos Mil

O Brasil é um país exuberante, fadado aos superlativos. Sua legislação destaca-se como uma das mais avançadas do mundo e também uma das mais emaranhadas. Encontrar, no cipoal legislativo, todas as leis que se referem ao mesmo tema é um exercício de paciência digno de um monge enclausurado. Também é exuberante em burocracia, pois leis se somam a portarias, decretos e atos, tornando moroso, o eternamente lento processo burocrático. Exuberância como a de processos protocolados e não julgados também são mazelas crônicas do nosso judiciário. Dizem alguns que é porque os cidadãos entram na justiça por qualquer olhar atravessado. A grande demanda não teria nada a ver com a falta de pessoal, com a imperiosa necessidade de buscar proteção na lei, quando toda a negociação falha, nem com os contratos estipulados de forma a só beneficiar o lado economicamente mais poderoso. As companhias telefônicas foram sempre campeãs de reclamações e com a nova Lei de Atendimento ao Cliente, talvez os Juizados de Pequenas Causas encontrem alívio no número das demandas até então existentes.

De exuberância de impunidade o país também é rico. Será isso um pleonasmo? Não que seja importante, já que a educação fica relegada a um plano secundário. Pleonasmo será entendido como palavra para fazer figuração. De pizza em pizza, a população torna-se cada vez mais obesa, pois é com “satisfação” que se digere tantos carboidratos e, menos mal que com a Lei Seca, não haverá o aumento do volume do abdômen pelo consumo da bebida fermentada que, em obediência a Lei, não será consumida por condutores de veículos automotores, o que contribuirá para manter certo equilíbrio na taxa de gordura da população.

Também exuberantes somos nós, povo amado, que convivemos harmoniosamente com a insegurança. Bandido armado com escopeta, fuzil e granada é só coisa de ficção. A insegurança só se manifesta por medo do bicho papão ou do leão. Esse último, coitado, leva a culpa da “cobrança compulsória” sobre o trabalho do assalariado, ou não, que de janeiro a maio, vai para os cofres públicos sem que a sanha arrecadatória se converta em serviços de qualidade similar ao dos países europeus, que cobram semelhante valor.

Assim, constroem-se pontes que ligam nada a lugar nenhum para conduzir o povo ao futuro cada vez mais incerto.

Ângela I. Maieski

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s