Família La Dina Bra Zil e Edu Candolvídio – Parte II

Com as idéias perigosas que andavam rondando na cabecinha de Edu, sua mãe apelou para a madrinha – aquela do camarão – e mulher de bom coração. Veio ela buscar o garoto para passar uma temporada no sítio da família para aproveitar o verão. Edu foi porque o filho da madrinha tinha sido companheiro de brincadeiras na infância. Para quem tem treze anos, como Edu, quem tem dezesseis é quase velho, mas ainda está na idade de aprontar molecagem.

Surpresa teve quando descobriu que Zezinho já se preparava para as aulas, que, meados de fevereiro, iniciam para quem estuda nas escolas da Família La Dina. Sendo a mesma, na cabeça de Edu, não deveria ter diferenciação. E, para que estudar em pleno verão? Zezinho só podia estar com insolação.

Zezinho explicou então que três redes a família tem, as escola F são as mais difíceis de entrar, mas são aquelas nas quais os alunos apresentam melhor desempenho, com médias mais altas, os professores recebem salários melhores e tem maior formação. Essas escolas são um bom exemplo do sucesso da Família La Dina, na educação. Só tem um porém, os alunos que nela ingressam já são muito bons, pois passam numa prova de seleção.

Explicou então que a rede E é heterogênea, algumas ótimas, outras medianas e outras deploráveis, variando conforme a região, a forma de administração, etc.e suas médias são mais altas que as da rede M, também heterogênea com variadas administrações, as vezes são um sucesso na formação de alunos, em geral mediana, em outras péssimas. Muitas adotam a postura mais fácil, também adotada por muitos pais que não sabem dizer não. Nessas, todos os alunos passam de ano, as estatísticas afirmam que não há reprovação, mas é só maquilação. O sucesso de uma rede não é necessariamente reflexo das demais, que deixam a desejar.

Edu já estava tonto com tanta falação, mas perguntou o significado de tanto palavrão: – hetero o que? Zezinho não respondeu, mas perguntou: – Oh guri tu não aprendeu nada na escola não? E completou a explicação: – Diferente como nós dois, pois pelo jeito tu não gostas de estudar e vai virar um pidão.

Edu pensou logo na solução, ia pedir para a mãe colocá-lo na escola que não tem reprovação, passando sempre de ano logo se livrava daquela chateação. Só as aulas de educação física e matemática, se houvesse professor, ele não iria faltar, pois só essa matérias conseguiam seu interesse despertar. E em voz alta formulou seu pensamento, deixando Zezinho horrorizado com tal afirmação.

Para Zezinho era temível a forma de pensar de Edu. Impossível imaginar onde o guri pretendia chegar sem estudar, e já previa seu fim. Alguma instituição penal, se suas idéias continuassem aquelas relatadas pela mãe, quando ligara a cobrar, constrangida, mas tão aflita e desesperada estava, que lhe parecera uma boa solução pedir ajuda a madrinha, para apaziguar um garoto, pouco mais que um menino, que tinha ambição, mas nenhuma força de vontade, nenhum objetivo pelo qual lutar. Tudo que exigisse esforço era logo descartado. Talvez se houvesse uma escolinha de futebol, uma oficina de matemática para ele se distrair e aprender a gostar de aprender, sua história poderia ter um final menos sombrio que aquele que se avizinhava.

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