Família La Dina Bra Zil

Família La Dina Bra Zil

Ângela I. Maieski

Em várias regiões do território havia inúmeras mansões, que se fossem navios, seriam transatlânticos de luxo. A paisagem era sempre deslumbrante. Adjetivos perfeitos para defini-las seriam grandiosidade e beleza. Eram fortalezas, não sujeita as intempéries naturais como furacões, nevascas, terremotos ou tsunamis. Todas eram habitadas pela família La Dina Bra Zil. Elas e seus diletos filhos dirigiam e recebiam dividendos da empresa Impostos & Impostos SA, mas muitos deles, se bem que nem todos, dedicavam também muito tempo a pesquisas sociais, hospedando-se em hotéis cinco estrelas, em regiões também deslumbrantes. Afinal, tinham a obrigação de conhecer a realidade, fosse onde fosse.

A empresa ia muito bem, obtendo recordes de arrecadação, mesmo que seus serviços gerassem muitas reclamações por parte dos acionistas, que também eram os usuários dos mesmos e não por acaso, entre eles estavam seus empregados. A família, em algumas ocasiões, se unia para cortar dividendos, em outras, diminuíam a oferta de algum serviço e se os acionistas reclamavam , culpavam a crise, a aumenta da demanda, etc. Afinal, precisavam presentear os demais familiares e amigos e isso sempre tinha um custo. Eram eles que compareciam e apoiavam as festividades regadas a pizza.

A família La Dina Bra Zil contava com a ausência de argúcia, considerando-a inata em seus acionistas, quando na verdade ela estava latente, subjugada por anos de opressão num passado recente, mas que já haviam sido deixados para trás. Alguns integrantes de tão tradicional família, mais familiarizados com esses tempos de pós-modernidade, no qual a informação anda rápida, iniciaram um movimento, pequeno é bem verdade, em prol da moralização e da ética, mas infelizmente, foram rechaçados. Para a família, foi uma vergonha sua atitude e foram condenados ao ostracismo. Não podiam confiscar-lhes os cargos porque haviam sido escolhidos pela assembléia de acionistas, mas podiam deixá-los de fora dos conchavos familiares. Perguntavam-se o que aquele “grupeto” pretendia, com sua demagogia de almanaque. Alguns chegaram a afirmar que deviam estar portando alguma virose que lhes afetava o cérebro.

Assim, o tempo foi passando e os patriarcas envelhecendo. Seus filhos, sucedendo-lhes na direção de tão tradicional empresa, perpetuavam a herança paterna e muito se espantaram, quando, na última assembléia de acionistas, o “grupeto” – como a eles a família continuava se referindo – recebeu apoio incondicional dos pequenos acionistas, mas não sem antes avisar que sua permanência estaria diretamente relacionada ao bom desempenho nos cargos. A situação começava a mudar, de forma lenta, porém firme, por pressão dos acionistas que sabiam que uma crise econômica se avizinhava e que a gastança desfreada só atendia aos interesses da família La Dina Bra Zil. Talvez em poucos anos ela seja substituída pela família da Sra. Éti Ka Bra Sil, que já matriculou os filhos na escola, para que possam se preparar para seu brilhante futuro, sem depender de qualquer tipo de assistencialismo.

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